Continuação do Livro de Renesmee
Continuação do Livro de Renesmee

quinta, 24 fevereiro, 2011
Capítulo 7

RENESMEE...

 

7.AMIGA

 

Meu lap top estava ligado ainda, a bateria daquela coisa parecia nunca esgotar. Acordei meio zonza, olhei para o meu quarto invadido pela luz e resolvi levantar, e foi o que fiz. Fui até o closet e coloquei a roupa mais pesada possível, afinal estava chovendo e o vento parecia estar frio lá fora. Se tinha uma coisa que tia Alice tinha me ensinado era disfarçar e me comportar como os humanos para passar despercebida por eles.

Uma blusa de lã preta me chamou atenção, tirei ela do cabide e vesti, por cima de uma regata de malha. Uma calça jeans antiga foi a única que encontrei no meio de muitas calças grossas e espalhafatosas.

Minha noite foi muito mal dormida, por sinal. Depois da minha discussão com Jacob, eu pensei bastante no que ele me disse, sobre eu não amar ele nem ele me amar como vampira. Isso era uma verdade dolorosa, não sei como, mais eu sentia isso, acho que menos do que ele, mas sentia. Era como se meu amor por Jacob parasse assim que meu coração parasse de bater. Estranho, mas real, e muito real.

Não chorei a noite toda, tentei pesquisar alguma lenda que me livrasse daquela sina, daquela maldição. Meu pai ainda tentou me ajudar, mas eu preferi que ele sofresse longe de mim. Ele odiava, igual ou mais que Jacob o fato de eu me tornar algo como ele, uma vampira completa.

Minha mãe dizia que era por causa da alma, meu avô dizia que era por causa do meu futuro e felicidade com Jacob e tia Alice só se queixava de não poder ver através de mim. Cada um citava um fato, mas ninguém me ajudava realmente.

-Filha...-meu pai apareceu na porta, já com o disfarce costumeiro, para ir trabalhar.

-Bom dia, pai! Eu já estou melhor...-falei, assim que recebi seu beijo frio na minha testa quente.

-Acho melhor você ir procurar o Jake, lembre-se que não foi nada amável o jeito como você deixou ele...-ele disse, começando a me lembrar do meu domingo sôfrego.

-Isso mesmo!- minha mãe disse, chegando no quarto e me abraçando. Pronto! O casal perfeito tinha se juntado para me ajudar!

-Não brinque, Nessie! Você não conhece o Jacob Black melhor do que eu e sua mãe juntos...-meu pai assoviou depois de ouvir meus pensamentos.

-Com certeza ele deve estar com o orgulho na frente, acho que ele não vai vir te procurar, não depois do que você fez...-minha mãe completou.

-Ok! Eu vou sim atrás do Jake. Vocês sabem por que eu deixei ele daquela maneira... eu estava odiando tanto a mim mesmo que achei melhor fugir a machucar Jake de novo!-falei, sentando na escrivaninha e desligando o computador.

-Olha, eu e sua mãe estamos indo pra nossos passatempos...-ele pausou quando minha mãe o cotovelou, deu uma risadinha e suspirou- Certo, para os nossos “trabalhos”, converse com Jake e não fique aqui sozinha em casa!-ele finalizou indo na direção da porta, junto com minha mãe.

-E não se esqueça... semana que vem começa a diversão... O colegial!-um pouco entusiasmada, minha mãe falou. Ela sempre se animava com a ideia de eu poder passar pelo colegial e experimentar minha vida como humana. Meu pai era a favor dessas experiências também, mas ele sempre se rendia a sua condição vampira.

-Tenha um bom dia, meu bem!-meu pai e minha mãe se foram.

É, colegial humano na próxima semana, isso seria ótimo! As coisas estavam mudando hoje, espero que essa maré de sorte me ajude com Jake.

Saí de casa disposta a achar ele em La Push, mas por um cheiro humano, hesitei e voltei para floresta perto da cidade, foi quando ouvi a voz de um garotinho...

-Andie! ANDIE! Onde você está? Quando eu te encontrar você vai ficar encrencada! Andie!-ele gritava, parecia perdido no meio das arvores.

A fina chuva deixou seus cabelos loiros parecendo marrons, ele estava tremendo e parecia um tipinho irritante. Não sei por quê. Se pelo convívio, mas eu não era muito fã de crianças humanas, elas eram hostis demais e falavam sempre a coisa errada, pelo menos na TV.

-Olá...-tentei ser amigável, mas acho que assustei o pequeno garoto, que arregalou seus olhos azuis e se encolheu, recuando de perto de mim. 

-Quem é você?-ele perguntou, ainda assustado.

-Sou Nessie e você?-estendi minha mão, mas ele não pareceu querer pegá-la.    

-Meu nome é John... você mora onde?-ainda longe de mim ele perguntou.

-Aqui perto.-falei, revirando os olhos- Você parece perdido... posso te ajudar?-ofereci, ainda amigável.

-Só pareço, mas na verdade não estou. Eu estava procurando minha irmã...

-Andie?-perguntei inocente.

-Como você sabe o nome dela?-com um salto pra trás, o garoto gritou.

-Own... sim... é que ouvi você gritando, então imaginei que esse fosse o nome da sua irmã. Não é?-falei, me aproximando do garoto que só fazia perguntas.

-É, nessa você se saiu bem...-cruzando os braços, o desconfiado John, começou a andar e na direção errada. Eu já tinha sentido o cheiro de outro humano por ali e devia ser da sua irmã.

-John... pra que lado fica seu acampamento?-perguntei, tentando detê-lo.

-Pra lá.-ele apontou para o norte.

-Bem, acho que sua irmã deve ter ido até o rio mais próximo encher uns cantis, você não acha?-casualmente, perguntei.

O garoto parou, olhou para mim desconfiado e suspirou.

-Onde fica o rio?-ele disse, se aproximando de mim.

-Para o sul.-falei, sem apontar, olhando penetrante nos seus olhos azuis.

-E onde fica o sul?-debochando, ele me encarou.

-Oh, sim! O sul é pra lá.-apontei na direção contrária a do acampamento dos dois.

O garoto deu as costas pra mim e começou a andar desesperado. Ele parecia com medo ou nervoso. Então ouvi ao longe uma voz feminina gritar o nome dele, John não ouviu, ela estava longe, saindo do rio na direção do acampamento, e não estava indo pelo mesmo caminho que nós.

 Como explicar isso ao desconfiado garotinho? Esse era o ponto chave da questão dos poderes de vampiro, sem poder revelá-los ficava difícil ajudar os desconfiados humanos.

Resolvi então ir com John até o rio e chegando lá, sem ver a irmã, eu convenceria John a voltar comigo para o acampamento onde sua irmã já deveria ter chegado.

-Não vejo ninguém...-o menino disse, assim que chegamos no leito do rio.

-Então ela já deve ter voltado.-inocentemente falei, disfarçando a certeza da minha voz.

-Você está me enrolando!-ele disse, me encarando com um ameaçador olhar frio.

-Oh, sim! Eu sou a bruxa má, que pega pestinhas como você e joga em um enorme caldeirão para fazer sopa!-brinquei, suspendendo os braços sobre sua cabeça e chacoalhando-os.

-Não seja idiota! Não tenho medo de bruxas más! Isso não existe! Tenho medo dos lobos que sei que essa floresta tem. Então, se você não quer ser devorada por eles, vãos logo achar a Andie e voltar pra casa, seja lá onde for a sua.-ele disse, dando meia volta. Aquele menino já estava me irritando.

Fui atrás dele, que quase corria no meio da floresta, tropeçando nos arbustos e escorregando nos musgos.

-John! John seu peste! Cadê você? Tomara que os lobos te encontrem! John!-era a irmã dele, que já estava vindo na nossa direção. Que ótimo, assim eu poderia seguir o meu caminho.

-Ah! Graças a Deus!-ela disse, vendo o irmão de longe.

-Andie, sua grande abandonadora de irmãozinhos, você está encrencada!-ele ameaçou, colocando um dedo na frente da alta irmã.

-Por quê? Afinal, você foi quem sumiu... eu só fui encher o cantil no rio e esperava que você estivesse lá quando eu voltasse. Eu esqueci que meu irmão é um delinquente e...-agora a loira garota me olhou de cima a baixo, percebendo minha presença. John também me encarou, com um ar de “Como é que você acertou?”, eu só baixei os olhos, para não encontrar os olhos azuis penetrantes da garota.

-Oh! Olá! Sou Andie Silverstone! Você é?-Andie veio na minha direção com a mão coberta por uma luva azul marinho estendida.

-Prazer, Renesmee Cullen!-fracamente falei. Era estranho pronunciar meu sobrenome, ainda mais em apresentações. Meu pai e meus tios sempre me disseram o espanto que esse sobrenome causava nas pessoas.

Mas Andie pareceu não se incomodar, abriu um enorme sorriso.

-Obrigada por achar a praga do meu irmão, ainda que eu preferisse a minha vida sem ele, mas meus pais iriam me matar se algo acontecesse a ele, então obrigada!-ela disse nervosa, assim que soltei sua mão.

-Oh! De nada! Eu só estava passando e ouvi seu irmão gritando, aí resolvi parar e ajudar...-eu falei, reparando nas suas roupas, muitos mais pesadas que as minhas. Ela usava um quente e grosso casaco, que parecia inflável, era de coton ou algo sintético, rosa e azul. Sua calça jeans era apertada e ela usava botas de neve com uns pelos grudado no cano, estilo esquimó...

Eu não entendia de moda, mas tenho certeza que tia Alice enfartaria se visse aquele modelito desajeitado.

-Venha comigo, eu já estou desarmando meu acampamento...-ela disse e começou a andar.

-Oh, me desculpe mas...-eu comecei a dizer, porque eu ainda tinha que ver Jake.

-Por favor!-ela pediu e algo em mim resolveu ir com ela. Andie parecia ser uma ótima companhia e além do mais ela era minha primeira amiga humana, ou iria ser, dependia de mim.

-Tá bem. Mas tem que ser rápido!-eu disse, seguindo-a, e pude perceber que sua excitação foi enorme.

Quando cheguei na pequena clareira, vi uma tenda com rastros de fogueira no chão. A sorte dela foi que a noite passada não choveu, uma raridade nas noites geladas de Forks. Andie começou a desarmar a tenda e John sentou-se longe dela, só olhando ela fazer todo o trabalho. Realmente, os lobos deveriam jantar aquele garoto.

-Então... você mora aqui perto?-Andie perguntou, sem me olhar, fazendo seu trabalho. Eu estava a alguns passos dela.

-Sim, minha casa fica a algumas milhas daqui.-eu disse, olhando ao redor.

-Você é filha do doutor Carlisle Cullen?-ela parou de desarmar e me encarou.

-Oh, não! Eu sou neta dele... sou filha de Edward Cullen e Bella Swan...

-Você é neta do chefe de polícia?-ela arregalou ainda mais os seus enormes olhos azuis.

-Sou sim...-eu disse, desviando o olhar e mirando John que me olhava desconfiado como sempre.

-Mas sua mãe não parece tão velha assim... você te quantos anos?-ela perguntou me olhando de cima a baixo.

-Tenho quinze e realmente, meus pais são jovens... É que eu sou adotada...-eu menti, vendo a expressão de espanto se transformar em uma cara de monotonia.

-Só podia ser! Aquela família esquisita parece não ter nenhum parente de sangue... são sempre adotados!-John disse, revirando os olhos.

-Cala a boca, pirralho! Desculpe o meu irmão... ela faz parte do clubinho da cidade que acha vocês estranhos.-ela falou, olhando para o chão envergonhada.

-Estranhos? Eles são mais que isso! Pra mim eles são bizarros... misteriosos...e...

-Abre de novo essa boca e eu te quebro a cara!-Andie ameaçou, chegando perto de John com uma mão erguida.

-Você só está assim porque acha eles super legais... ignora as coisas que dizem sobre eles...-John começou a dizer, mas parou quando eu o encarei, interrogativa.

-E o que dizem, John? Continue.-eu pedi, desafiadora.

-Dizem que vocês são traficantes ou algo assim, que nunca ficam pobres por que vivem viajando e contrabandeando coisas, por isso são tão estranhos. Pronto falei!-ele disse, se encolhendo do tapa que Andie formou para dar nele.

-Não bata nele, Andie. Não vale a pena. Ele apenas está dizendo o que acredita. Olhe, John, eu tenho cara de criminosa?-perguntei me aproximando dele.

-Criminoso não tem cara, ele é criminoso e ponto final!-irritante, John ironizou.

-Oh, certo, então da próxima vez que nós formos dar um golpe em alguém, vou te chamar!-eu brinquei, piscando pra Andie que sorriu e voltou a desarmar a barraca.

-Eu disse que vocês eram traficantes e não golpistas. É diferente.-ele cruzou os braços com raiva. Pelo visto ele gostava de zoar, mas não de ser zoado.

-Tá bem. Acho que alguém anda assistindo TV demais...-eu atirei, indo para o lado de Andie.

-Vão pro inferno!-ele disse, chutando um pedaço de arvore na sua frente.

-Ei, quer ajuda aí?-ofereci, vendo o trabalho de Andie não evoluir muito.

-É claro! Essa droga parece ter vontade própria.-ela disse, deixando uma parte da lona no chão.

-Ok.-falei e comecei a tirar as varas da armação da barraca do chão e retirando a lona que estava envolta neles. Finalmente dobrei a lona e dei a Andie que me olhava admirada.

-Nossa!-ela disse, colocando a lona na mochila.

-É que costumo acampar com a minha família.-falei, sorrindo sem graça.

-É claro...-ironicamente John falou e revirou os olhos azuis.

-Então, vamos?-Andie disse, colocando a mochila nas costas- John, me ajude aqui com essas mochilas...-ela disse, apontando para duas mochilas que pareciam leves.

-Oh, eu estou fora! Você leva! Você só está com uma! Porque eu tenho que levar duas?-ele disse, pegando a menor.

-Que droga, John, não seja idiota! Essa aqui está com a barraca, está muito pesada para eu levar duas!-Andie disse, impaciente.

 Eu não fazia ideia de como as crianças poderiam ser tão irritantes. Aquele garoto que parecia ter menos de oito anos era o que havia de pior em uma criança.

-Não vou levar!-ele disse, começando a caminhar só com uma mala.

-Ok, eu levo a outra!-eu me ofereci, sabendo que ficaria mais atrasada para encontrar com Jacob.

-Não Renesmee! Ele leva!-Andie gritou para o irmão que deu língua e continuou andando.

-Deixe, eu posso ir até sua casa, mas tenho que voltar antes da hora do almoço.-adverti, andando. Não que realmente meus pais se importassem, mas era por causa da comida humana, algo que eu, definitivamente, não experimentava.

-Tudo bem.-ela sorriu e começamos a andar em direção a um estreito caminho que levava a cidade.

-Então, você estuda fora, não é?-ela perguntou, sem olhar para trás.

-Na verdade eu estudei em casa esse tempo todo, só vou cursar o colegial aqui em Forks.-falei,olhando a enorme mochila que cobria Andie.

-Isso é legal? Quer dizer, o colégio aceita estudantes residenciais?-ela parou e se virou para me olhar.

-Não sei, eu nem sabia que existia esse termo para uma escola em casa.-brinquei e ela sorriu.

-Mas se você vai estudar é porque eles te aceitaram, então deve valer. Você vai começar o colegial, certo?

-Sim.

-Que bom, eu também!-seu sorriso estava enorme, e ela andava de lado, para poder ver minhas expressões.

Continuamos por um estreito caminho entre as arvores cheias de musgo da gélida floresta, até entrarmos em um caminho mais amplo, dava pra entrar com um carro ali.

-Liga pro papai! Pra ele vir pegar a gente na estrada!-John falou, arfando, com a pequena mochila nas costas.

-O papai disse que a gente voltaria a pé, então cala essa boca e anda mais rápido!-calmamente, Andie falou.

Mais na frente avistamos a estrada, era na entrada de Forks. Eu estava um pouco chateada por estar andando tão devagar, era difícil me acostumar com aquilo, mas seria bom minha convivência com Andie. Uma pessoa só seria melhor do que centenas de adolescentes para ver algum deslize meu.

Uma prova do meu instinto assassino que não estava tão aguçado era o fato de minha garganta não incomodar tanto perto de humanos. Se eu contasse pro meu pai ele não acreditaria tanto em meu auto controle.

Acho que a convivência com sangue só de animais campestres me fez perder o apetite por sangue humano, mas a dor chata na garganta ainda ficava lá, acho que se eu deixasse ela me controlar, acabaria ferrando tudo. O cheiro doce fazia cócegas na minha garganta, e a cada passo que Andie dava e o que o vento levantava seus loiros cabelos, seus cheiro ficava mais forte e atraente, mas eu não ligava para isso, de vez em quando, minha mente trabalhava no cheiro e a eu parava de ouvir a voz de Andie, só para me perder no seu cheiro.

-Renesmee, você tem que ir mesmo na hora do almoço?-ela parecia desanimada enquanto caminhávamos em direção a uma grande casa branca, com um jardim em volta. Acho que Andie tinha condições, e muito boas por sinal.



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quinta, 07 janeiro, 2010
Continuação do Capítulo 7

-É, meus pais não gostam quando eu me atraso, então...-eu tentei convencê-la com a minha melhor atuação, isso era fácil quando se era um vampiro, convencer as pessoas ou seduzi-las.

-Está bem, é que já é quase meio dia, então você terá que ir praticamente agora...-estávamos parados, os três, em frente do jardim da casa de Andie.

-Olha, eu prometo que não vamos ficar sem nos ver.-falei, entrando no gramado- Afinal as aulas vão começar semana que vem!-tentei fazer uma cara animada.

-Isso mesmo! Vai ser ótimo!

Andie foi andando e eu parei, logo uma mulher meio loira de uns aparentes 35 anos apareceu na porta e John a abraçou e entregou a mala. Andie acenou assim que se aproximou da mulher.

Meu primeiro contato com humanos estranhos. Foi bom, comparado com Charlie e Sue que eu via com freqüência e com o lobisomem que eu beijava sempre.

Assim teria que ser meu comportamento no colégio secundário de Forks, Washington.

Jake! Merda! Acabei esquecendo... ele me perdoaria? O que estaria fazendo? Mas eu não marquei hora com ele, então...

Será que ele estaria na casa de Rachel? Ah! Tantas dúvidas! Eu queria encarar todas, mas respirei fundo, e como uma covarde, voltei parar casa. A essa hora alguém estaria em casa. Corri rapidamente pela floresta até chegar nos fundos da minha casa de lá, o vazio não deixava rastros... não tinha estado ninguém ali. Mas havia gente na casa de Carlisle.

Andei na direção da grande casa, e quando entrei dei de cara com tio Emmett e uma mala, logo tia Rosalie desceu as escadas com outra. Iam viajar de novo.

-Não acredito que vão viajar antes de me ver entrar no colegial!-eu disse, indo abraçar tia Rosalie.

-Bom dia querida. Oh, sinto dizer, mas vamos ter que fazer isso!-ela disse, caminhando comigo na direção da garagem, tio Emmett ia na frente.

-Eu estou arrasado! Sinceramente, estou indo só por causa de Rosalie. Perder você entrando no colegial e atacando estudantes é quase o mesmo de perder Bella arrumando confusão com vampiros quando era humana.-decepcionado, tio Emmett suspirou, colocando a mala dentro do porta malas do conversível de tia Rosalie, que agora estava prata e com um modelo mais avançado.

-Não se preocupe, querido! New York é ali pertinho, vamos rápido e voltamos. Não podemos perder as reservas nesse hotel, lembra? E você prometeu, então... tenho certeza de que Nessie guardará na memória as cenas da sua entrada triunfal na vida escolar.-sorridente, ela deu a volta e foi em direção a porta da direita.

-Oh! Ela tem o dom mais talentoso de todos! Tchau, ruivinha!-ele me beijou no topo da minha cabeça e entrou no carro. Eles iam fazer falta, mas era no máximo uma semana, sempre era assim. Tia Rosalie marcava reservas e eles partiam, acho que eles já deviam estar na centésima viagem de núpcias!

Olhei a garagem sem nenhuma alma viva e olhei a moto prata estacionada na minha frente. Ir ou não de moto? Não, ele podia estar dentro da floresta e não dava pra entrar lá dentro.

Saí da garagem em direção a floresta, não havia sinal de que alguém da minha ilustre família estivesse voltando pra casa. Até tio Jasper servia pra me dar um conselho... mas nem mesmo ele estava por perto.

Caminhei devagar, pensando em muitas palavras e quando dei por mim, já estava dentro dos limites das terras dos frios. Entrei nas terras Quileutes e farejei em volta, não havia rastro fresco de lobisomem, Jacob e seu bando estavam repousando o sono dos justos.

Corri, sem muita pressa e parei indecisa na frente da casa de Rachel, e quando eu ia abrindo a porta, Rachel abriu primeiro, tomando um susto com minha presença.

-Oh! Nessie! Me desculpe!-ela disse, saindo, Paul estava atrás dela.

-Não se desculpe! Era pra mim ter batido. Desculpe a mim!-falei meio envergonhada, sem coragem pra entrar.

-Jacob está aí dormindo.-Paul sorriu descaradamente.

-Meu bem! Não seja indiscreto!-Rachel sorriu vermelha e deu um leve tapa no braço de Paul- é Nessie, ele está deitado, mas já está na hora de acordá-lo, então, faça esse pequeno favor.-Rachel fechou a boca e Paul a puxou para abraçá-la e começaram a andar juntos, muito lindo, a impressão parecia ser demais.

-E diga a ele que estaremos de volta antes da hora do jantar!-Rachel gritou, já dentro de um Fiat Savero, parecia usado, mas em bom estado de conservação.

-Olhei até quando eles pegaram a estrada em direção a Forks.

Entrei na casa, um silencio, mas o cheiro de Jacob invadia todos os cantos. Fui direto para o seu apertado quarto e lá estava ele, com a barriga pra cima, roncando alto, boca aberta, sono pesado. Será que vampiros tinham impressão? Acho que não, mas naquele momento, achei que estava tendo um surto de impressão, porque para mim, a criatura mais linda estava na minha frente.

Devagar e sentindo seu cheiro cada vez mais forte, fui cegando perto de sua cama, me ajoelhei e coloquei os cotovelos na beirada e sustentei meu rosto com as mãos. Fiquei admirando aquela barriga sarada, aquela cor bronzeada, aquele cabelo liso e preto brilhante...

Suspirei e senti um sono também, Jacob dormia tão convincente que não resisti e tentei me deitar ao seu lado. Mas a cama era de solteiro, e como Jake era enorme, com certeza não cabia duas pessoas ali.

-Nessie?-ele disse, quando eu levantei e dei as costas para ir embora do quarto.

-Oi dorminhoco! Não acorda não! Eu sei que você está cansado então... só passei pra saber como você estava...-eu comecei a gaguejar e falar rápido. Jacob percebeu meu nervosismo e deitou com força na cama, deixando sua cabeça bater no travesseiro, o que fez a cama ranger.

-Vem cá...-só com uma mão ele chamou, sem ao menos erguer a cabeça para me olhar.

Me aproximei calada e olhei para sua cara, seus olhos sonolentos.

-Senta aqui...-ele deu um tapinha na beirada da cama. Eu obedeci, sentei e continuei olhando aqueles olhos negros, quebrados de sono.

Jacob me puxou para cima do seu corpo assim que eu sentei do seu lado.

-Me desculpa...-eu sussurrei, entre os músculos do seu tórax.

Senti seus dedos em meus cabelos, afagando minha cabeça, sem responder ao meu pedido, sufoquei. Ele tinha o direito de não me desculpar, afinal eu agi como uma idiota.

-Jake, eu sei que o que eu fiz não foi certo, eu não queria ter te deixado e...-comecei a dizer sentando na cama e ele também se ergueu, colocou o dedo indicador entre meus lábios e me olhou nos olhos.

-Mesmo que eu quisesse não perdoar você, não conseguiria!-ele disse, me encarando.

-É, o negócio da impressão, eu sei...-falei meio sem jeito, olhando para o chão.

-Não é só isso, Nessie! eu te perdoaria porque... eu te amo, minha vampirinha!-ele sussurrou a um centímetro do meu rosto.

Logo eu me arrepiei com seu hálito quente, suas mãos foram até minha nuca me prendendo em um desesperado beijo de perdão. Eu estava sedenta por aquele momento, tanto que fui eu a que mais procurava seus lábios incessantemente.

-Eu também te amo, meu lobo bobo!-tomei ar e falei, antes de ligar meus lábios aos seus novamente.

Ao fim, Jake nos separou e sorriu, aquele devastador sorriso, que me deixou sem ar. Talvez eu também sofresse de impressão...

-Mas afinal, o que diabos te deu pra fugir daquele jeito?-ele perguntou, sem me olhar nos olhos.

-Eh...Nem eu mesma sei! Fiquei revoltada com minha condição, achei que fugindo de você a dor da realidade também me deixaria em paz...-falei e senti seus dedos tocarem meu queixo, erguendo meu rosto para nossos olhos se encontrarem.

-Que realidade?-olhos negros me interrogaram.

-A que você falou... de eu não amar você e nem você me amar! Essa realidade é destrutiva pra mim, é fatal, sabe! É como a dor da impressão pra você, mas ela me deixa sem chão, nervosa, doente... Jake, passei o resto daquele dia tentando encontrar uma forma de me livrar da minha futura condição. Desesperada por livros, lendas e até feitiços, eu busquei, tendo a ajuda de meu pai e de meu avô. Mas eu não queria envolver ninguém, doía ter que me convencer da minha futura sina, mas doía muito mais ver meu pai sofrer por mim, Jake, ele não tem lágrimas e isso faz com que as minhas dobrem!

Como uma enxurrada, minhas palavras o arrastaram para fora do seu mundo e o trouxeram para o meu, meu sofrido mundo. O choque da minha revelação, do meu sofrimento fez seus olhos se estreitarem, e uma cara de tristeza nascer da sua face de sol radiante.

-Mas, Jake, eu não quero ver mais ninguém sofrendo por minha causa, ouviu! Me promete, Jake, me promete que se você deixar de gostar de mim vai continuar seu trabalho?!-supliquei, agarrada em seu rosto, forçando seus olhos negros e decepcionados a encontrar os meus, que agora estavam cheios de lágrimas. Aquele assunto me torturava, mas era preciso lidar com ele.

-Olha, Nessie, não vamos falar nisso agora, por favor...-seus olhos comprimidos suplicaram aos meus olhos desesperados.

-Não Jake, eu quero saber agora! Alivie meu condenado coração, por favor!-minhas mãos foram para sua bochecha quente e logo sua mão estava sobre a minha, com a cabeça baixa ele pensou. Então mostrei-lhe nossos dias juntos, nossas brigas e o momento mais difícil pra mim e talvez para ele, o nosso ódio um pelo outro. Não Jacob e Renesmee, mas o lobisomem e a vampira.

-Chega, Nessie, chega tá! Por favor! Já não basta eu ter que te perder, ruivinha? Não quero que você pense mais nisso tão pouco fique me mostrando!-ele tirou aminha mão com cuidado da sua bocheche e com o mesmo cuidado me olhou profundamente nos olhos, os meus estavam embaçados, lágrimas desciam sem parar. Foi quando senti dedos ferventes retirarem as lágrimas da frente e lábios macios tocarem em minha boca, em uma torrente de emoções.

Minha cabeça rodou, Jake me abraçou forte, abraço de urso, como minha costumava dizer, e o beijo se perdeu em seu longo suspiro.

-O que foi?-perguntei, quando o vi levantar.

-Isso aqui tá muito chato, muito deprimido. Vou tomar banho, por que daqui a pouco e


postado por 121594 as 02:14:27 37 comentários
Capítulo 8

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Espero que tenham uma boa leitura!

8.PRIMEIRO DIA DE AULA

Olhei pela janela, entre os arbustos que cercavam a casa, ao que me parece estava nublado.

-Nessie, levante, hoje é seu primeiro dia na escola em Forks...-não sei se era a voz da minha mãe ou a voz da minha consciência.

Escolhi uma roupa a qual tia Alice classificaria como sem graça ou até feia, dependendo do seu humor. Uma calça jeans preta, blusa pólo branca com um pôlver  roxo por cima, a gola branca sobressaindo pelo pôlver. Calcei meu tênis favorito, Nicke preto de cordão branco. No meu estilo eu estava, mas pela cara de tia Alice que acabava de entrar no quarto, nem tanto.

-Eu e sua mãe temos uma loja de roupas legais... Te damos as roupas mais legais ainda e você se veste assim?-ela disse e eu me olhei de cima a baixo.

-Não estou tão mal.-falei, arrumando meu cabelo ruivo e percebendo a cara pensativa de tia Alice.

-Falta algo...-ela refletiu com um dedo no queixo- Ah! Sim! Já volto.

Rápida ela saiu e eu, bem, eu torci pra não ter que trocar de roupa.

-Aqui está!-ela voltou com uma linda boina branca nas mãos.

-Obrigada!-coloquei a boina na cabeça e pensei “Estou até bonita!”.

-Está linda, afinal, você é linda.-meu pai sorriu da porta do closet.

-Ok! Missão cumprida! Hora de ir pra loja. Fazer a maquiagem!-os olhos de tia Alice brilharam, ela sempre ficava muito empolgada quando o assunto era mudar o visual.

-E então, vai querer carona?-meu pai ofereceu, na porta da garagem.

-Hum... Tenho opção?-desanimada, perguntei, ajeitando a mochila nas costas.

-Ei! Ir pro primeiro dia de aula no colegial de carona com os pais... Não é o estilo Cullen, certo?-tio Jasper deu uma forcinha.

-Ah, Edward! Meu pai conversou comigo lá na loja a respeito da Nessie de moto...-minha mãe falou, entrando na garagem com tia Alice do lado. Aquela maquiagem deixava as duas realmente velhas.

-E...-meu pai olhou interrogativo, sem poder ler os pensamentos da minha mãe, ela não era muito a fim de ficar mostrando eles ao meu pai.

-E ele disse que tudo bem, se ela não saísse de Forks ou não desse entrada no hospital.-minha mãe sorriu, entrando no carro com tia Alice.

-Bem, sendo assim...-meu pai suspirou, entrando no Prisma preto.

-Nessie, pega!-tio Jasper jogou a chave da moto.

-Boa aula, querida!-tia Alice desejou.

-Cuidado, nada de atropelamentos!-tio Jasper riu, olhando meus movimentos.

-Tchau filha!

-Tchau mãe!

Liguei a moto, quando os carros de tia Alice e o do meu pai saíram, e saí também da garagem com um estranho frio na barriga. Será que eu iria me dar bem com tantos humano s? Só lá pra saber.

A estrada estava molhada, essa noite tinha sido chuvosa e fria. Senti meu instinto acusar como se alguém estivesse me seguindo. Acelerei vendo a água espanar, a boina estava dentro da bolsa e o meu capacete preto cobria meus cabelos. Eu já tinha uma noção do que encontrar, pelo que minha mãe e meus tios haviam me falo, mas não foi isso que eu encontrei.

O prédio estava maior, a frente havia sido reformada, afinal Forks havia crescido de seis anos pra cá, pouco mais cresceu.

Assim que estacionei, fiquei tão concentrada em olhar o lugar que nem percebi dezenas de olhos em cima de mim. O estacionamento estava lotado de adolescentes e alguns pais. Coloquei minha boina, acho que não demorei meio segundo, e olhei pra frente. Andie saltava de um carro prata quatro portas, logo que me viu sorriu.

-Bom dia! Primeiro dia ein?-ela disse, assim que encontrei-a, sua voz tinha um tom de excitação.

-Bom dia Andie! Oh! Sim! Vamos entrar?- sugeri .

-Claro. Vamos lá.

Começamos a andar em direção a entrada principal do prédio, eu com a cabeça um pouco baixa, não dando atenção aos olhos curiosos que me observavam.

Entramos acho que no corredor principal, paramos, Andie parecia indecisa, olhou para os dois lado e suspirou.

-Que tal irmos até a secretaria pegar nossos horários?-sugeri tendo com base os conselhos da minha família.

-Oh! Sim. É o certo a fazer.-ela sorriu e seguimos. Agora que estávamos em um ambiente mais fechado, senti os cheiros mais fortes, concentrados e isso fez minha garganta arder.

Me controlar seria fácil, já que eu não estava sedenta, mas parar a desconfortável queimação era impossível. Eu poderia conviver com aquilo muito bem. Quando nos aproximamos da secretaria, havia muita gente.

-Na biblioteca, agora a biblioteca a distribuição de horários será lá!-uma mulher alta de cabelos negros gritou, ela aparentava ter uns 35 anos. A secretária, eu deduzi.

Como eu e Andie não estávamos no meio da multidão, nós chegamos primeiro a biblioteca, já haviam pessoas lá, mas eram poucas. A biblioteca era ampla, cheiro de pó e mofo prevaleciam ante o cheiro fraco do aromatizador de ambientes.

Distribuindo os horários estavam três pessoas, duas mulheres e um homem. Todos pareciam ter a mesma idade, entre 30 e 40 anos.

-Bom dia! Vocês são do primeiro grau?-sorridente a mulher ruiva perguntou.

-Somos!-eu e Andie respondemos em coro.

-Ok, bem, qual o nome das duas?-ela perguntou.

-O meu é Andie Cristine Silverstone.

-Renesmee Carlie Cullen.-era estranho pronunciar meu nome completo no meio de desconhecidos.

-Oh! Certo. Seu horário está com o senhor Deeps.-ela apontou para o homem um pouco calvo na direita.

-Já você, senhorita Cullen, é aqui comigo. Senhora Ellen Grabs.-procurando meu horário, ela falou.-Aqui está! Seja bem vinda a escola secundária de Forks, sou sua professora de Inglês e essa é a senhora Megan Spancer, professora de Biologia e o senhor Deeps Holling, professor de Matemática.-os dois me olharam e sorriram.

-Muito prazer!-sorri de volta enquanto via Andie pegar seus horários.

-Bom dia de aula!-senhor Deeps desejou.

-Obrigada!-nós duas falamos já saindo da biblioteca.

Andie pegou meu horário e comparou. Vi um sorriso nascer em seu rosto.

-Durante a semana temos 7 aulas juntas, não é um máximo?-ela me olhou com olhos brilhantes.

-Oh! Claro que é.-tentei elevar meu nível de excitação, para que pudesse mostrar como eu me sentia em relação a isso.

-Então sua primeira aula é de Física, na sala quatro. Boa sorte! A minha é de Biologia, com a senhora Megan, sala 5. Vamos lá! Hoje só nos encontramos na ultima aula, ótimo! Assim saímos juntas!-Andie sorriu e começamos a caminhar em direção ao pavilhão onde ficavam as salas 4, 5 e 6. Eu entrei no 4 e Andie foi andando até o 5.

A primeira coisa que me chamou atenção além dos cheiros, foram os batimentos cardíacos dos adolescentes que estavam na minha sala. Eram desritmados, rápidos, bobeava sangue muito rápido para todo o corpo, deixando-o ainda mais quente e atrativo. Sentei na primeira fileira da direita, esperei das pessoas que entraram, mas ninguém sentou ao meu lado.

O senhor Oregon era o professor de Física. Olhando para ele, eu lhe daria uns 37 anos. Era aula introdutiva, então não teve muito o que aprender. Ele falou mais nas leis básicas da Física, lei da atração e da ação e reação. Aquela aula poderia ser entediante para mim, pois já havia lido sobre tudo aquilo nos livros de meu pai e de Carlisle, mas não. Estava sendo fascinante ver como os humanos aprendiam limitadamente. As aulas eram superficiais e sistemáticas, lentas eu diria para resumir. Não me admirava a atenção que os alunos davam a aula.

Minhas próximas aulas eram de Matemática, Espanhol, Inglês e Química. O sinal tocou, e os alunos saíram da sala rápidos, eu fui uma das ultimas, e percebi que ninguém se aproximou de mim. Por que?

Fui andando até a sala três, onde seria a aula de Matemática. Entrei por ultimo novamente na sala, e todos me olharam. Dessa vez não sentei sozinha, um garoto moreno claro, de cabelos encaracolados seria meu colega de carteira.

Assim que sentei, olhei para ele. Estava com um fone no ouvido, enquanto o senhor Deeps se apresentava.

-Oi?-ele disse, percebendo meus olhos curiosos a lhe observar.

-An? A é! Oi! Me desculpe... Sou Renesmee Cullen... prazer!-tirei a bolsa das costas e deixei minha mão livre e estendida para apertar a sua.

-Olá, Mett Casson! Prazer... você é nova na cidade?-sua pergunta me deixou sem ar. Pensar em uma mentira universal, na que eu tinha contado a Andie, para não me dar mal.

-Não, na verdade sempre morei aqui... é que estudava em casa, sabe?-eu havia dito isso pra Andie, acho que no dia da trilha, não sei.

-Em casa? Seus pais são professores?-ele parecia muito surpreso.

-Oh, sim! Meu pai ensina em uma universidade em Port Angeles...-sorri, tentando parecer normal.

-Hum... estranho! Parece método antigo de ensino! Estudar em casa!-ele sorriu, e se voltou para o professor.

Mett parecia nervoso com minha aproximação. Senti seu coração acelerar assim que lhe disse oi, e sua respiração ficou pesada. Típico humano sofrendo uma reação a aproximação do sexo oposto. Agora, com esses pensamentos, eu parecia até meu pai. Sorri sozinha, escutando a música que passava no mp11 do garoto ao meu lado.

Era hip hop. Não conhecia o cantor. Parecia antigo. Olhei suas roupas, não parecia nada com os garotos que eu costumava ver na internet e na TV, os que curtiam hip hop. Ele vestia uma calça jeans, uma blusa pólo verde, e uma blusa de manga comprida branca por baixo.

Usava um perfume amadeirado, que me fez lembrar o cheiro de Jacob. Balancei a cabeça, afastando esse pensamento e me concentrei no senhor Deeps, que já começava a aula de introdução. Percebi que essa aula estava mais quieta, os alunos estavam mais atentos.

Até o final da aula, eu e Mett não trocamos mais nenhuma palavra. Suspirei assim que a aula acabou. Ele saiu rápido da carteira, e eu me senti rejeitada. Que bom...

Acho que Andie era a única que foi atraída por mim. Será que minha parte humana estava tão forte que a sedução da parte vampira tinha acabado? Porque isso era uma característica vampira que eu pensava ter, a atração vampira.

Era um tipo de instinto de sobrevivência, afinal minha comida deveria se sentir atraída por mim. Olhei em volta, a sala vazia, fui a ultima a sair de novo, chegaria atrasada a aula que se aproximava também. O corredor, minha garganta me incomodou, vários cheiros de sangue, quente com o nervosismo do contato entre si.

Espanhol! Essa era a aula da sala sete.

-Ariba! –foi o gritinho que ouvi de uma mulher morena assim que entrei na sala. Dessa vez quem sentaria ao meu lado, ou quem eu seria colega de mesa era uma garota negra. Olhos grandes, lábios cheios. Um cabelo escovado, muito lindo, bem cortado.

Assim que sentei, ela sorriu e se apresentou, parecia simpática.

-Oi! Sou Vanessa Shine!

-Muito prazer, Vanessa! Renesmee Cullen!-apertei sua mão.

Lá na frente a mulher se apresentava como senhorita Mercedes, a professora de espanhol. Essa aula era totalmente dispensável para mim. Espanhol, francês, português, alemão e italiano eram minhas línguas de domínio. Eu falava malmente um pouco de mandarim... ou chinês, mas era péssimo. Teria que aperfeiçoar.

Ela cumprimentou a sala em espanhol, pediu que os alunos se apresentassem em espanhol. Fiquei nervosa em minha vez. Não queria transparecer qualquer conhecimento na língua, mas perece que falei de mais.

-Me nombre ser Renesmee Cullen, muitas gracias!-sorri, em um tom tímido.

-Mui bem, mu tacha!-ela parecia surpresa, mas rapidamente passou a vez para minha colega Vanessa.

A aula foi divertida, senhorita Mercedes era muito comunicativa e alegre. Ainda que dissesse ter naturalidade americana, seu sangue era espanhol, ou mexicano, acho que latino.

E o sinal tocou. Agora seria a hora mais temida, a hora do almoço. Andie me encontrou no corredor. Fomos juntas, eu calada e ela me contando que amigos tinha feito nas suas três primeiras aulas.

-E você?-sua pergunta repentina na porta do refeitório me fez parar. Como explicar que meus poderes de atração vampíricos não estavam muito bem? Melhor não esxplicar.

-Normal...-sem perceber, e voltando a andar, falei.

-Normal o quê?-Andie me olhou interrogativa.

-Hum? Oh, sim! Sobre meus colegas? Fiz dois, na primeira aula não sentei com ninguém. Na segunda conheci o Mett e na terceira a Vanessa.-suspirei, sentando em uma mesa quase vazia.

-Vamos sentar? Eu vou logo pegar meu almoço, você não vem?-empolgada, ela nem sentou.

-Não estou com fome...-menti, sabendo que essa mentira não colaria todo dia.

-Tem certeza?-com olhos apelativos, ela ainda esperou uma afirmação positiva minha.

-Tenho. Pode ir...-respirei fundo e senti minha garganta arder.

Andie deu de ombros e partiu. Logo a mesa lotou, Vanessa sentou do meu lado, com mais algumas amigas e me fez a mesma pergunta que Mett, se eu era de Forks, onde eu estudava, trivialidades. E quando Andie chegou, descobri que Vanessa e ela já se conheciam, acho que de séries passadas.

Com Vanessa estavam mais duas garotas, ambas morenas, peles não tão escuras, uma do cabelo bem curto e liso, a outra tinha um enorme cabelo preto, encaracolado na cintura. Eram Stephenie e Sophie, sorridentes e comunicativas. Elas tinham aula comigo nas terças, quintas e sextas.

Mett estava em uma mesa na frente da nossa, sua cadeira exatamente virada para mim, seus olhos castanhos, de vez em quando, procuravam-me em meio as minhas colegas. Ele conversava alegremente com alguns colegas, sorria, e falava, obviamente, de nós, de mim também.

Não me dei ao trabalho de escutar, até por que teria que me concentrar no que minhas novas amigas falavam. Trivialidades.

Após o almoço, lá fui eu, junto com Andie, empolgada por novas amizades. Sentamos juntas, (novidade), o professor de química com um nome meio estranho, Arquimedes Suffar, que fez todos rirem.

E, finalmente,  sinal tocou. Andie na frente do prédio, pra ser mais exata, no estacionamento, se despediu das novas colegas com um singelo abraço. Parecia que não iam mais se encontrar. Dei apenas um ligeiro tchau, com a mão esquerda e me dirigi até minha moto.

-Então, seus pais vão vir te buscar, ou vai querer carona?-Andie perguntou, encostando na minha moto. Acho que ela não tinha me visto  descer da moto. Tirei as chaves do bolso e retirei o alarme. Ela desencostou automaticamente, sorrindo desacreditada.

-Vou de moto...-sorri, retirando o capacete do guidão.

-É sua?-surpresa, a pergunta pareceu tão boa.

-Sim.-curtamente respondi.

-Você é cheia de surpresa, Nessie!-ela faltou o ar.

-Quer uma carona?-sorri, tirando minha boina e colocando na bolsa.

-Nem poderia aceitar. Sou proibida de andar em qualquer meio de transporte de duas rodas... ainda mais com uma adolescente. Você tem idade pra ter carteira de motorista?-Andie rodeou minha moto, com a boca aberta.

-Bem, sendo neta do chefe de polícia...-sorri, vendo os olhos de Andie se moverem atrás de mim. Mett se aproximava, nem precisei virar para reconhecer o cheiro amadeirado que vinha dele. Junto com ele, mais três colegas, da mesma estatura eu diria.

Andie fez um sinal com a cabeça para que eu me virasse. Revirei os olhos e olhei para os olhos castanhos que no refeitório me procuravam tanto.

-E aí?-ele sorriu para mim e Andie, seus colegas apenas moveram a cabeça.

-Tudo bem...-Andie disse, em meio a minha mudez.

-Então,ainda não fomos apresentados... sou Mett Casson, esses são David Jump, Cristian Wood e Hanley Stuart, você é?-ele disse, estendendo a mão, enquanto  sua turma só dizia em coro um “Eaí?”.

-Prazer garotos, sou Andie!-simpática, a loirinha disse, encostando de novo na minha moto.

-E essa é Renesmee Cullen, a garota que falei pra vocês...-ele disse, me olhando dos pés a cabeça.

-Olá!-me esforcei para ser simpática também, apenas não sorri.

Andie estava nervosa, seus batimentos aceleraram e Mett também, ao me olhar. Tentei me controlar, estava prestes a der risada daquela constrangedora situação.

-Bem, vou indo! Minha carona chegou!-Andie saiu, ao ouvir uma buzina vindo de um corsa prata- Até amanhã, pessoal!-ela sorriu e entrou no carro. Acho que seu pai ia no volante, buzinou e ela se foi, deixando eu e a galera do Mett, uns olhando pra cara dos outros.

-E então, Renesmee...

-Só Nessie, se preferir...-lentamente, falei, entre os dentes.

-Ok, Nessie. quer carona, ou seu pai vai vir te buscar?-ele disse, enquanto eu dava a volta na moto.

-Não, obrigada. Eu sou minha própria carona!-sorri, sentando na moto, coloquei sutilmente o capacete e liguei-a.

-Ual!-foram as exclamações que saíram das suas bocas abertas.

-Cuidado, mocinha! As estradas costumam ser perigosas...-Mett disse, se afastando, ele e seus colegas. Não dei atenção. Simplesmente dei uma leve arrancada, fazendo os pneus guincharem sem querer no asfalto da escola. Todos me olharam, vi pelo retrovisor. Por dentro de mim a adrenalina corria solta.

Sentir a velocidade, pra mim era de mais!

Peguei a pista que cortava a cidade, e nem notei quando alguns motoqueiros me cercaram, quatro no total. Deduzi, lógico, a turma de Mett. E como não senti, mesmo estando com o capacete e a 60 k/h na via pública, aquele amadeirado característico?

Será que Mett era um lobo? Não! Pensamento mais idiota! Eu sentiria um lobo, ah! Isso com certeza! Mas aquele cheiro...

Buzinas cortaram a minha concentração, e logo os quatro começaram a me fechar, estavam me seguindo. Assim que peguei a estrada federal, acelerei, iria levá-los para longe da minha casa. Eu tinha combustível suficiente.

100 k/h, essa era minha velocidade mínima. Eles estavam não atrás de mim, mas do meu lado. A moto de Mett era vermelha, se destacando entre as quatro pretas que o seguiam. Logo eles tomaram minha frente, e eu, em uma manobra de fuga, bem, só mais pra tirar uma onda com aqueles adolescentes, pisei no freio traseiro, fazendo a moto girar 90° graus, e segui, no sentido contrário, de volta para Forks, agora já com 120 k/h.

Ficou fumaça na estrada, mas senti que eles não voltaram, por isso, diminuí, e fui direto pra casa. Meu primeiro dia de aula, bem, foi muito emocionante. Nenhum problema aparente, meu auto controle estava forte...

Deixei a moto na garagem, minha mochila e as chaves lá também, não havia lição de casa, então não tinha necessidade de ter a bolsa ao meu lado em casa. Assim que me virei para sair da garagem, senti uma presença estranha lá.

Olhei em volta, não vi nada, não havia odores também no ar. Dei de ombros e caminhei até a porta. Foi quando a imagem de rabisco sumiu no ar. Primeiro apareceu, para depois sumir. Foi instantâneo, coisa de meio segundo ou menos. Uma imagem de TV quando falta energia, ou quando pifa, que some a imagem, assim foi a sombra que eu vi.

Meus músculos se contraíram, e senti que meu sangue estava prestes a congelar, por tamanha adrenalina, meu instinto assassino nunca esteve tão pronto para explodir. Olhei em volta, tudo calmo. Aquilo me tirou do sério.

 Aquele silêncio...


postado por 121594 as 02:13:37 218 comentários

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