BACHIANAS
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quinta, 12 agosto, 2010
O quintal da minha infancia


Dedicado a meus irmãos.

Infância recheada de amor, crianças ingênuas e felizes, tudo tinha significado. Um quarteirão de quintal cheio de frutas e muitas brincadeiras. Cada um de nós era dono de uma fruteira e de um bichinho.

Eu era dona dos gansos, eles eram brabos e, eu ensinava a eles atacar minha tia por ela ser implicante. Titia corria que só uma condenada com medo dos bichinhos e eu apanhava que só uma bendita por fazer essa maldade inocente.Gostava também de amarrar uma corda no pinico da minha avó, era um pinico enorme, meu desejo era puxar quando ela fosse fazer xixi, mas meu pai sabia das minhas peraltices e sempre chegava na hora e tirava a corda e me dava sovas com a minha própria corda.Brincávamos de Tarzan, Peterpan, Garrafão, Estátuas e outras com os amigos e vizinhos.

Minha mãe cozinha, lavava, ensinava e também cultivava um canteiro de rosas. As rosas eram regadas com a bomba manual.

E as festas do ano, eram todas festejadas. Carnaval com o famoso banho de confetes, serpentinas, mascaras e fantasias feitas por nós. São João com fogueira, fogos, balões e comidas típicas. Não faltando à maravilhosa quadrilha matutina, tudo era animado e gostoso.

Estudávamos no colégio Damas e os meninos no São Luíz. Acordávamos muito cedo, tomávamos banho, café e íamos caminhando até o escola.Uma vida sossegada sem medos. Ah que saudade! Hoje vivemos com eterno temor.

Semanalmente, passavam os vassoureiros vendendo seus lindos produtos de piaçava, espanadores, vasculhadores, esteiras d’Angola, raspa coco, grelhas, peneiras e abanadores. Passavam também os vendedores de rolete de cana, cocadas e de pitomba cantando assim: Olha a pitomba, venha chupar pitomba que está docinha. Já o da cocada cantava: iê cocada, olha a oada,  oadinha de coco... Quem vai querer? Existiam também os que vinham a cavalo com seus garajais vendendo galinhas. Ave Maria! Não vamos esquecer os famosos Mascates que traziam nas costas tudo de miudezas e pra terminar os quebra-queixos que vinham apitando piuí, piuí, piuí.

O mais trágico e engraçado era o Domingo, dia do barbeiro, em que todos eram obrigados a cortar o cabelo (corte de cuia), chorávamos, soluçávamos e não tinha jeito, tínhamos que cortar, depois ficávamos rindo um do outro, dizíamos assim” Tais é feia, tais parecendo um home, e agente chorava e ficava zangados”, era muito engrançado. Todo mundo conhecia as filhas de Dr Vito, com seus famosos cabelos.

Tive uma meninice feliz e obediente.

 Com o nosso quintal e nossos pais não nos faltava nada.

Renasce em mim dias inesquecíveis da minha infância querida.


postado por 116240 as 04:14:23 #
3 Comentários
Lúcia :

É Deinha, vc. deve ser uma pessoa muito feliz,tem tudo p/ ser! Uma infância assim bonita e saudável fortalece as emoções e o caráter e deixa o caminho mais leve e saudável!! Parabéns pelo texto!!
22/09/2010 20:14:27  

sheyla:
Muito interessante e realmente parecia uma infância feliz e calma.
08/09/2010 07:26:01  

Claudinha:
Eu adorei mesmo esse texto! Queria poder ver vcs nessa época! Minha maior curiosidade seria o momento do cabeleireiro. Adorei!! Hahahahaha...um beijo!
27/08/2010 09:55:04  

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