Diario de uma Emetofobica
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quarta, 04 julho, 2007
DESCOBERTAS SOBRE A POSSIVEL CAUSA DA MINHA EMETOFOBIA

Bom dia,queridos amigos

Gostaria de agradecer pela participaçao no post anterior.Obrigada pela força,meninas,de coraçao.Eu continuo fazendo o tratamento com a dietologa e estou me alimentando melhor,mais constantemente.

Esta semana obtive respostas significativas a respeito da causa da emetofobia.Eu sempre soube que esta fobia e originada por um trauma relacionado ao vomito durante a infancia (entre 6 e 10 anos).Sempre procurei saber se algo tinha me acontecido durante este periodo,mas meus pais e familiares sempre negaram.Realmente nada relacionado ao vomito me aconteceu.

Como nao me contento enquanto nao descobrir o "porque" deste problema,vivo pesquisando,perguntando.Esta semana recebi uma resposta muito significativa.Vou colar o trecho da "entrevista" com uma psicanalista muito competente.

Apos lerem  o trecho,escrevam se voces tambem tiveram qualquer tipo de problema semelhante ao meu.Quem sabe nao descobrimos algo em comum?

Um grande abraço,

***

ESCLARECENDO DUVIDAS


Voce saberia me dizer o que causa a emetofobia? Sofro desta fobia desde criança.Nao sei qual foi a causa,mas morro de medo de vomitar.Infelizmente este medo limita muito a minha vida.
Um abraço

Esta fobia se relaciona ao medo de ter que devolver alguma coisa que já se agregou a você por direito, de perder algo que lhe dá conforto. O ato de comer, além de suprir uma necessidade orgânica, é prazeroso, e dá uma sensação de proteção.

Você tem irmãos mais novos? É frequente que uma criança pequena, na visão de Melaine Klein ( psicanalista da linha freudiana, que trabalhou com crianças) se sinta usurpada, quando nasce um irmão mais novo, e ela tem que dividir a mãe com o outro.

Às vezes nem é um irmão, mas o próprio pai, que a criança vê como um rival, que está tomando dela o que ela acha que é um direito só dela.
Bebês ( bom a Lilian ler isso) são extremamente crueis e possessivos, sem maldade, claro. O próprio fato da mãe retomar sua vida profissional, social, faz com que o bebê sinta que está perdendo o que para ele é apenas o "seio", que é como vê a mãe.

O bebê vê a mãe apenas como seio bom ou seio ruim, dependendo de suas necessidades serem supridas como ele quer.

Freud inclusive chamava o bebê de polimorfo perverso, sei que é pesado dizer isso, mas no ego do bebê, ainda não formatado, tem muito do id, que é uma parte da psique que apenas vê a satisfação dos desejos.

Assim, dependendo de como foi o desmame, ou mesmo que nunca tenha mamado, que tenha apenas tido mamadeira, como se deu a "perda" da pessoa que representava o seio bom ( o que alimentava), a criança pode sentir que está perdendo algo.

O vômito representa então a rejeição ao alimento, e por tabela a rejeição à pessoa que representava este alimento.

"Você não me quer mais, então eu não quero nada de você".

É preciso nesta fobia uma análise para saber o que foi que você perdeu, quem julgou ter perdido, ou teve medo de perder.

Quando se tem medo de vomitar, isto sempre está ligado ao medo de perder, não implica necessariamente que o fato tenha ocorrido. Pode ter apenas imaginado que poderia perder.

É sempre necessário investigar isto através de psicanálise, nunca é possível dizer apenas A ou B. Abração
.

Muito obrigada pela sua resposta.Eu nao tenho irmaos mais novos,alias,sou filha unica da minha mae e a mais nova do meu pai (ele tem outros 5 filhos do primeiro casamento,sendo que meu meio irmao mais velho tem a idade da minha mae).Nos damos muito bem.
Eu sempre fui muito mimada e superprotegida,principalmente pelo meu pai que sempre me deu tudo.Minha mae, por ser "marinheira de primeira viagem",sempre foi ultracuidadosa com a minha saude e ao minimo sinal de qualquer doença,me levava logo ao pediatra.Eu nasci prematura,de 8 meses num parto cesaria muito dificil,fiquei na encubadora por 40 dias e nao fui amamentada pela minha mae,porque o leite secou. Minha mae é muito cuidadosa comigo e morre de medo de me perder de alguma forma.Antes de mim, ela sofreu um aborto aos 5 meses de gestaçao e ela sempre disse que eu sou uma "dadiva de Deus".
Cresci como uma princesa,que vivia num mundo "cor de rosa".Sempre fui a melhor aluna da classe,primeiro lugar no vestibular,terminei a faculdade aos 20 anos,fui a melhor colocada da minha regiao no concurso publico do Estado de SP...enfim, eu me sinto como se eu fosse criada para nao perder nunca.Meus pais nunca me obrigaram a nada,eu faço porque é uma maneira de recompensa-los.Sou cuimenta demais.Quando criança,se via minha mae ou meu pai conversando ou brincando com outra criança,me sentia traida e fazia tudo pra chamar atençao.
Hoje aos 24 anos,moro na Italia ha 2 anos desde que me casei com um italiano.Deixei trabalho,mestrado e minha familia para viver com o meu marido que eu amo tanto.Ligo para meus pais todos os dias e as vezes choro muito ao pensar que deixei tudo o que eu tinha conquistado (em termos profissionais).
Me considero insegura e incapaz de me defender sozinha.Sempre contei com a proteçao dos meus pais e agora espero o mesmo do meu marido.(sei que é errado)
As crises de emetofobia pioraram desde que estou morando na Italia.Sera que tem alguma relaçao com esta mudança?

Muito obrigada pela atençao

Muito interessante seu relato sobre a mãe não tê-la amamentado. Tem muito a ver. E com o fato de ser ciumenta e ter sido muito mimada.

Ter largado tudo e ido para a Itália pode sim. ter acentuado sua fobia. Uma psicanálise poderia explicar melhor.

Mas eu creio que se você conseguir ficar bem aí, com o próprio tempo irá resolvendo este problema.
É um feeling que tenho a este respeito.

Um abração.

LEGENDA

* minhas perguntas.

*respostas da profissional.


postado por 53011 as 03:56:09 #
3 Comentários
Eu:
Que curioso ler seu comentário.
Tenho uma história de vida parecidíssima com a sua.
Sou filha única e sempre senti o peso de ser "especial". Tenho pais detalhistas e perfeccionista, logo sou como eles. Na escola, sempre fui também nota 10 em tudo. Até que me desmotivei com o sistema brasileiro, fui estudar na Itália e anos depois na França, há pouco retornei ao Brasil e retornei aos meus fantasmas também. Um dia, mais cedo ou mais tarde teria que afrontar meus medos e é o que eu estou fazendo atualmente. Também vomitei em todos os eventos sociais entre meus 6 e meus 10 anos e sempre me perguntei o porquê. Meus amigos de adolescência nem sabem disto e se por a caso ficarem sabendo irão achar absurdo, pois sempre gostei de comer e durante muitos anos na adolescência estive acima do meu peso. Fiquei com vergonha de ter "passado mal" durante a minha infância e nunca conversei nada disto com meus amigos. Fiz terapia durante a adolescência mas nunca comentei isto com a minha terapeuta por vergonha. Hoje vejo que é bobagem, mas na época, sentia tanto medo de vomitar que tinha calafrios, minhas mãos suavam frio e sentia aquela ansiedade compulsiva que não deixava nada ficar no meu estômago. Hoje, quando tenho alguma ocasião solena por causa do trabalho, deixo de comer. O duro é quando o evento é noturno e passo horas sem comer e fico com um grande mal humor. Preciso me sentir à vontade para poder comer. Preciso ter aquela fome enorme para poder deixar meu medo de lado. Tenho medo do imprevísel e do vexame. Durante muito tempo achei que tivesse a síndrome da "rejeitada" e que tivesse algum problema de ego. Tinha medo de ser exposta apesar de adorar o lado social. Uma contradição. Minha mãe só me amamentou até os
3 meses e sempre foi uma mulher extremamente prática e pouco carinhosa. Sua forma de dar carinho era bancar meus estudos. Sempre carreguei o fardo da recompensa. Hoje falo 5 idiomas estrangeiros e tenho 2 mestrados mas estou cansada de ter que provar que sou boa e ter a aprovação dos meus pais. Ao contrário de vc que teve um pai super protetor, tive uma pai presente fisicamente, mas extremamente ausente nas palavras e no carinho físico. Não me pegava nos colo e aos 7 anos senti que minha mãe quis nos distanciar, pois ele era o meu pai e as relações deveriam estar bem claras, visto que em breve seria uma mocinha. Nunca entendi na minha infânca o que isto significou mas senti a ausência do meu pai e a presença excessiva da minha mãe que se faz sentir até hoje. Já conversei várias vezes com os meus pais sobre isto, mas vi que não dá pois eles se sentem cobrados e eu me sinto triste por cobrá-los, depois de tudo o que eles fizeram por mim. Converso muito isto com o meu namorado, mas ele não é meu pscicólogo e nem meu psicanalista e ter este papel atrapalha nosso relacionamento de homem-mulher. Enfim, vejo hoje que coisas mal resolvidas da infância viram bolas de neve e como quero me livrar deste fardo, me sentir menos cobrada por mim mesma e ter uma vida social agradável, decidi procurar um psicanalista, mas vou ter que trabalhar um pouquinho mais para poder me permitir fazer uma terapia. Tenho fé de que isto me ajudará a esclarecer muita coisa e tirar muitas mágoas de coisas que ficaram para trás mas que me assombram ainda hoje. Abraços
29/11/2010 17:56:47  

eli:
Depois de sofrer anos com esta fobia, procurei tratamento com um terapeuta e descobri que há uma possibilidade de cura através da hipnóse erickssoniana. Ainda não fiz, estou pesquisando um profissonal renomado e pago o que for necessário para me curar e viver como uma pessoa normal. Fica a minha sugestão pra vc.
13/07/2010 18:47:31  

marcia dias:
Também sofro com o mesmo mal. Não sabia nem o nome dessa fobia.E isso é tão ruim, que atrapalha muito a minha vida.
Queria também saber como curar isto.












12/02/2010 22:00:58  

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