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domingo, 20 abril, 2008
Anomia


 

 

Os crimes de sangue têm maculado o Rio de Janeiro e aprofunda deveras a agonia insana da convivência social nas últimas décadas. Responde por isso uma série de fatores conexos, mas é no político que reside a principal causa, o fiel da balança cujo peso até hoje não encontra um contrapeso capaz de resgatar o equilíbrio perdido.

Nas eleições para governador, em 1982, o Rio de Janeiro escolheu seu destino em exagerada esperança das camadas carentes. Foram elas que conduziram o espetáculo eleitoral em silêncio vulcânico, forjando a lava que viria a explodir e a escorrer no vermelho do seu magma: o sangue derramado nas ruas por conta da omissão e das falácias politiqueiras a justificar os criminosos e seus crimes como se tudo fosse conseqüência da "desigualdade social".

Junto com a eleição do governante estadual, floresceu o tráfico de drogas nas favelas, na esteira da permissividade fundada em causas sociais que jamais venceram o discurso. O narcotráfico alastrou-se mundialmente neste período e aqui tudo funcionou como nos velhos tempos da casa-grande e da senzala, época de ouro dos "coronéis-fazendeiros" e da lei do mais forte. Instituiu-se, então, no Grande Rio, a figura do "coronel-traficante" dominando as comunidades carentes. Ressalve-se que nada mudou nos governos seguintes, a não ser pelo fato de cada prato da balança tender aleatoriamente para um lado ou para outro: permissividade, truculência, permissividade, truculência... Até os dias de hoje.

Tornando, porém, ao passado, já lá o sangue jorrava no rastro das riquezas auríferas, madeireiras, canavieiras, cafeeiras e cacaueiras, e o foco da violência eclodia em cobiça desenfreada – romances de Jorge Amado (Tocaia Grande), Adonias Filho (Corpo Vivo), João Ubaldo Ribeiro (Viva o Povo Brasileiro), dentre outros, retratam mui bem essa turbulência social. Era um sangue vermelho em ódio, mas a terra virgem sugava-o, a poeira cobria-o ao primeiro vento e tudo caía no esquecimento. Hoje o asfalto mantém o vermelho do sangue em mancha fotografada e arquivada; quando some, outro vermelho se lhe sobrepõe em insanidade: pouco sangue de opressores e muito sangue de oprimidos, descontados os corpos desaparecidos em rios, lagoas, baías e pântanos ou torrados em “microondas”... E muita cocaína para ambos, opressores e oprimidos, e o ódio aflorando em olhares raivosos, em vontade de matar, em certeza de impunidade, em ações belicosas, em chacinas!

Colonização, império, república, ditadura, abertura, democracia... (democracia?). O que mudou?... Nada!... Na contenda entre a aristocracia e a plebe, vitória certa da linhagem familiar dos latifúndios e dos herdeiros das riquezas acumuladas em razão de suor e sangue dos pés-de-chinelo, escravos ou não. Enfim, a violência é a mesma e não mudaram os violentados – povoléu civil e fardado –, massa de manobra à disposição de figuras badaladas nas revistas chiques que circulam em glamour esplendoroso, como se em volta a desgraça não existisse. Esses vaidosos e famosos não são jamais atingidos, a não ser pelos olhares esperançosos dos muitos miseráveis que enfiam nos jogos de azar estatais e particulares (ambos contravencionais) suas moedas mínimas, suadas e sangradas, logo somadas à riqueza da elite...

Entretanto, nem tudo tem sido tão perfeito nos últimos andares do edifício social. O crime começa a assolar os ricos; a droga avança em aprimoradas modalidades de consumo, com destaque para o ecstasy. E todos, pobres e ricos, indistintamente, cobram de um poder público moralmente fraco a solução, esquivando-se, porém, de suas responsabilidades individuais. Também a União e os Municípios se comportam em descarado autismo; fazem corpo mole, enquanto exigem do exaurido Estado-membro um dever constitucional que igualmente lhes cabe cumprir. A continuar assim, neste pingue-pongue, o resultado será o caos... Ou já estamos nele?...

Sim, já estamos no caos. Todo mundo está a matar todo mundo; morre-se de tiro, tuberculose, overdose e dengue; morre-se demasiadamente no trânsito; não há fronteira nítida entre a legalidade e a ilegalidade; ninguém sabe quem está do lado de quem; Vivenciamos o desvalor da vida humana; vivenciamos um tempo de chacinas diárias, de corpos caídos numa só poça de sangue ou em várias, distantes entre si, o que dá na mesma comoriência; vivenciamos uma guerra entre irmãos que alcança as raias do absurdo – todos atirando em todos: tiro amigo, tiro inimigo, bala perdida, bala achada, não importa, o resultado é o sangue no chão, é o ódio motivado pela desmotivação de viver; é o Bem triunfando do Mal.

Diante de tamanha desgraça, como resgatar os valores básicos da convivência social? Como restaurar a Família, a Escola, a Igreja, a Comunidade Livre, o Respeito Mútuo, a Liberdade e a Vida? Por onde devemos recomeçar?... Será que é patinando em falsas impressões divulgadas no estardalhaço de sempre por aqueles vaidosos e famosos? Será que é nos mantendo na epiderme da tragédia social maquiada em cansativos sofismas? Ou não seria melhor aprofundar discussões objetivas no sentido de privilegiar o Bem em detrimento do Mal?...


postado por 13181 as 04:45:41 #
27 Comentários
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bess754645xx:
Óñïåõ ýòî ñóïåð!



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sexta, agosto 07, 2009 10:54 

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zuwuxhok cpwnouau ntvqplix
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vimcegff zmdtkasa pmjbiszm
sexta, agosto 07, 2009 03:45 

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iiomogqs jmxoaahy hfbrbokk
sexta, agosto 07, 2009 01:25 

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zolehhqj fluxltrj zehhpjez
quinta, agosto 06, 2009 11:04 

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gtrozscd ninbycsj bklejwcj
quinta, agosto 06, 2009 08:47 

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Eduardo Antunes:
Estou com um sobrinho drogado e necessito de uma clinica grátis, por favor necessito de sajuda.

Obrigado
Eduardo
quarta, julho 23, 2008 07:31 

Leví Inimá de Miranda:
Caríssimo Senhor CEL PM EMIR LARANJEIRA!
A cannabis sativa (erva, maconha, marijuana, cânhamo, canabis) é a droga ilegal mais consumida no mundo, hoje com uma estimativa de consumo de 2,5% da população mundial (aproximadamente 165 milhões). O BRASIL é signatário da Convenção Internacional sobre Drogas Narcóticas, de 1961, complementada pelo protocolo de 1972. Isso significa dizer que são proibidos o cultivo, a posse e a venda, não lhe sendo recomendado qualquer uso médico. E hoje temos, além da maconha (2,5% THC), o haxixe (8% THC), o Skunk (33% de THC) – qual dessas pretendem liberar... (?!).
Tanto a tolerância (necessidade de doses crescentes para se obter o mesmo efeito) quanto à dependência estão mais do que comprovadas. Seu uso pode causar desde euforia e relaxamento até ansiedade e pânico, somados à diminuição dos reflexos, da cognição (conhecimento, percepção), dentre outros tantos.
Até as décadas de 60 e de 70 o pobre consumia apenas maconha, uma vez que a cocaína era acessível somente a segmentos privilegiados e abastados da sociedade. A partir da década de 80, com o crescimento do cartel de Medellin, houve o que o escritor PAULO LINS denominou da “democratização da cocaína”, permitindo que os pobres tivessem também acesso a essa droga, uma vez que, com as misturas da pasta base com pó de mármore, talco, pó de gesso etc., o preço barateou, democratizando assim o uso da cocaína.
Segundo o jornalista e escritor PERCIVAL DE SOUZA, “DE TODOS OS ADOLESCENTES INTERNADOS NO BRASIL INTEIRO POR CAUSA DOS ATOS INFRACIONAIS PRATICADOS, 85,6% ERAM USUÁRIOS DE ALGUM TIPO DE DROGA ANTES DA INTERNAÇÃO. AS MAIS CITADAS: MACONHA (67,1%), ÁLCOOL (32,4%), COCAÍNA-CRACK (31,3%) E OS INALANTES (22,6%)”; e que “NAS MAIORES CIDADES DO PAÍS, 60% DOS PRISIONEIROS, A MAIORIA NA FAIXA DE DEZOITO A 23 ANOS DE IDADE, VIERAM DE ALGUM ESTABELECIMENTO PARA MENORES”.
A liberação das drogas na HOLANDA foi oficializada no ano de 1976; portanto, há 31 anos. Liberou-se, então, a venda de maconha em estabelecimentos denominados coffee-shops. Apesar da proibição da venda a menores, o uso da cannabis, dentre os colegiais de 14 e 15 anos, cresceu vertiginosamente entre 1984 e 1996. Nas adjacências coffee-shops trafica-se qualquer tipo de droga, inclusive crack, cocaína e heroína. Hoje, a HOLANDA passou a ser um gigante na produção e distribuição de drogas ilícitas, como, por exemplo, o ecstasy e a heroína. Portanto, na HOLANDA, uso da maconha subiu 400% após a liberação. Em 2001, a Drugs Enforcement Administration (DEA) divulgou, no relatório “ECSTASY, ROLLING ACROSS EUROPE”, baseado em apreensões e relatórios de inteligência, que 80% da produção mundial de ecstasy provinha dos laboratórios clandestinos da HOLANDA e, em segundo lugar, do norte da BÉLGICA.
Quando se fala da HOLANDA, portanto, omite-se que ela já está retificando esta política, assim como a SUÍÇA, entre outras razões, pelo aumento da criminalidade. Atualmente, a HOLANDA encontra-se em primeiríssimo lugar, dentre as nações mais desenvolvidas, quando se considera o número de homicídios. “O ALTÍSSIMO NÍVEL DA BRUTALIDADE MAIS EXTREMA A QUE CHEGOU A HOLANDA, APÓS A LIBERALIZAÇÃO DAS DROGAS, PODE SER AVALIADO PELO FATO DE O PAÍS ESTAR SUPERANDO HOJE ATÉ MESMO A TAXA DE HOMICÍDIOS DAS NAÇÕES CONSIDERADAS MAIS VIOLENTAS” – apud IB Teixeira, 2002.
O grau de irresponsabilidade de autoridades públicas constituídas e de entidades de classes, a favor da liberação da maconha e em claro e irretorquível desfavor à sociedade é surpreendente. Dentre os favoráveis temos: governador SÉRGIO CABRAL, juíza FLÁVIA VIVEIROS DE CASTRO, GILBERTO GIL, FERNANDO GABEIRA, CHICO ALENCAR, OAB-RJ, ABI, INSTITUTO DOS ADVOGADOS DO BRASIL, ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS JORNAIS, PSOL, UNE e até o Procurador da República DANIEL SARMENTO, além de tantos outros como, por exemplo, “usuários eventuais”, viciados e, é claro, os traficantes de drogas também. Dizer-se que a proibição da marcha da maconha feriu a Carta Magna é de uma impropriedade inominada. Chega a ser altamente suspeito tal posicionamento e deveria ensejar profunda investigação desses partidários, incluindo suas vidas pregressas.
Espero que tais autoridades e entidades, no futuro, não venham a lutar, aqui no Rio de Janeiro, pelo direito das facções criminosas se tornarem partidos políticos, com a provável filiação de muitos e tantos sacripantas.

Dr. Leví Inimá de Miranda – CEL MED REF (EB)
Perito Legista aposentado da Polícia Civil do RJ

terça, maio 13, 2008 12:10 

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