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domingo, 30 dezembro, 2007
INFINITO PARTICULAR

As ambições de Ruy Muniz, o homem de 100 milhões de reais

Quero comentar, mesmo com indesculpável atraso,  a entrevista do deputado estadual Ruy Muniz (Democratas) ao repórter Fred Mendes da Revista Tempo, de Montes Claros. Para além da questão já sabida que o empresário é uma espécie de novo Midas desses nossos sertões, dono da não desprezível soma de R$ 100 milhões, a entrevista surpreende pelo tom assertivo com que o político estabelece o céu como limite para suas ambições. Vou abrir aspas para o trecho da entrevista em que o deputado recorre aos velhos manuais de auto-ajuda e repete a máxima de que, quando você deseja fortemente alguma coisa, o universo conspira a seu favor:

"Querer é poder. Eu serei prefeito de Montes Claros, estou certo disto. Depois farei uma administração tão exemplar que ganharei reconhecimento em todo o Estado, e vou chegar ao Governo de Minas. Depois meu nome irá se projetar para o resto do país e certamente vou me tornar presidente da República. Pode escrever isso aí na entrevista..."

Quando li num desses sítios esquecidos na internet que Ruy aspira a ser um novo Juscelino Kubitschek, atribuí a boutade à atitude servil de algum aspone carente da atenção de um chefe reticente ou ao delírio de um desses escribas de generosas penas. A julgar pela frase do deputado no parágrafo acima, a coisa procede. A memória de JK podia ter passado sem essa.

Ruy também busca polêmica fácil ao tentar criar uma áurea romântica em torno do episódio do roubo ao Banco do Brasil, do qual foi principal protagonista no agora distante ano de 1987. "O fato do roubo está ligado a minha militância política na juventude, eu e meus amigos queríamos fortalecer o Partido dos Trabalhadores na região, ganhar eleições. Nós vimos que o sistema era corrupto e quisemos usar as mesmas armas do sistema. Pegamos o dinheiro de forma ilegal, jogamos com as mesmas armas deles".

O repórter deixou escapar a chance de saber quem seriam esses "eles" conteúdo daqueles "deles" tão continente. A quem o revolucionário temporão gostaria de ter se igualado em armas para o nem tão bom combate é uma questão que ficou sem resposta. Qual era o contexto político daquele 1987? O país voltara à trilha democrática e o então presidente da República era José Sarney. Vivíamos, os brasileiros e brasileiras, a ressaca do Plano Cruzado, logo após o estelionato eleitoral que o PMDB perpetrou aos crentes em fórmulas mágicas de crescimento.

O Regime Militar havia jogado a toalha há algum tempo sem passar pela ruptura que 20 e tantos anos de autoritarismo fariam supor. Os excessos à direita e à esquerda foram convenientemente esquecidos pela anistia "geral e irrestrita", de 1979. Vivíamos a Nova República e já se esboçava o que seria chamado de centrão, o condomínio que reuniu os principais partidos políticos de então e que, para não fugir à triste rotina nacional, deixou o povo de fora da festa.

O acordão nacional, entre outras coisas, resultou em um ano extra de mandato para Sarney, graças à generosa concessão de licenças para operação de rádios e TVs a deputados amigos. Registre-se, para o bem da história, que o nascente PT ainda era contra tudo o que ali estava e não topou participar da farra cívica.

Aí estão, em pano rápido, as circunstâncias contra as quais Ruy Muniz e seus aloprados teriam tentado se insurgir ao realizar o golpe conta o Banco do Brasil. Deram com os burros n'água, como ele registra na entrevista. O golpe no BB, conta o agora deputado, rendeu um milhão de dólares, que seriam destinados às campanhas de petistas nas disputas por prefeituras norte-mineiras. Tática utilizada com pelo menos 15 anos de atraso e sabidamente inútil, como demonstrara os muitos fracassos dos heróis da resistência à ditadura de 1964. Uma história da carochinha muito conveniente à biografia do atual empresário que, segundo sua própria definição, tem a capacidade de "agregar recursos humanos, financeiros e tecnológicos" para "transformar empresas falidas, ou com problemas financeiros, em negócios de sucesso".

Estamos no país das metamorfoses ambulantes, o presidente da República a mais notória delas. De modo que nada mais já nos surpreende. O militante porra-louca do final dos anos 80 transforma-se no self-made men deste início de Século XXI. Os tentáculos do predador empresarial, quem diria, já chegam a Brasília. Ruy Muniz comprou, por quantia não revelada, o Instituto Científico de Ensino Superior e Pesquisa (Unicesp), uma fábrica de diplomas que ameaçava deixar na mão cerca de quatro mil estudantes e 600 professores. Vai repetir por aqui a fórmula de sanear empresas no buraco, com cortes drásticos nas despesas e a manjada demissão de pessoal.

A disputa para a escolha do próximo prefeito de Montes Claros será o teste de fogo para as nadas modestas ambições de Muniz. A entrevista da Revista Tempo omitiu que ele foi obrigado a voltar ao DEM após ter migrado para o Partido da República. Temeroso de que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que deu a posse dos mandatos aos partidos e não aos deputados o impedisse de disputar a Prefeitura de Montes Claros, o primeiro degrau da caminhada a que se impôs, Ruy achou melhor compor com o também deputado Jairo Ataíde e voltar ao antigo ninho do pefelês -- que abandonara chutando a tampa do balde.

O tour partidário de Ruy Muniz revela muito sobre a consistência gelatinosa de suas convicções ideológicas. O militante esquerdista de outrora foi beber na fonte do PFL velho de guerra que, feito camaleão, fez  upgrade no ideário e até trocou de nome para continuar sendo o que sempre foi: relicário do conservadorismo nacional. Sem falar na breve estadia no PR, o partido que tem como no empresário e ex-vice-governador Clésio Andrade seu quadro mais representativo em Minas Gerais, figura de histórico não menos controverso.

O deputado desconversou quando o repórter lhe atribuiu os tais R$ 100 milhões lá do título. Disse que reinveste tudo o que ganha nas muitas empresas do portfólio que conseguiu montar ao longo da carreira empresarial (escolas, faculdades, rádios, TVs, um jornal, uma fábrica de remédios etc). Ele não tem a quantia em cash, como seria óbvio imaginar. A disposição de Muniz com os seus R$ 100 milhões de patrimônio sugerem que qualquer mortal pode ter ganas de sonhar com a Presidência da República. Aliás, a Presidência seria fichinha.

No lugar do deputado, até esse blogueiro sentiria impulsos de tomar carona na onda do dólar perneta e mandar dizer ao senhor George W. Bush para esvaziar a Casa Branca. Botava o império de cabeça para baixo e fincava no coração da América nossa divisa de “Ordem e Progresso”. Pensando bem, mandava um recado para Deus passar lá no INSS e requerer Sua eterna aposentadoria. A entrevista do deputado Ruy provoca no leitor o secreto desejo de querer vago o trono celestial.

Para uma metamorfose ambulante, como um dia cantou Raul Seixas, basta ser sincero e desejar profundo e qualquer um será capaz de sacudir o mundo. No caso dele, nem o céu é o limite. Mesmo quem não concorda com os métodos do deputado, fica na obrigação de admirar sua sincera e abissal petulância.


postado por 38839 as 12/30/2007 09:21:51 #
1 Comentários

romualdo da silva gonçalves:
romualdo da silva gonçalves:

É lastimável ver figuras desprovidas de caráter ético e moral ter devaneios de grandeza com a presidência da república, quiçá O Onipotente. A falta de honestidade e a corrupção no Brasil está tão entranhada na carne que, cidadãos com passado e fortuna totalmente duvidosos, se acham no direito de exercer o poder a qualquer custo, por pura e simples vaidade pessoal!! DEVEMOS EXCOMUNGAR ESTES TIPOS DE POLITICOS DA NAÇÃO. TALVEZ DEVESSEMOS MANDA-LOS PARA MARTE, OU MELHOR, PLUTAO PARA SENTIREM-SE O DONO DO UNIVERSO.
Que o Universo conspirem à favor das pessoas honestas e trabalhadoras deste país. Amém
Romualdo Gonçalves - Manguense, com orgulho!!!

domingo, dezembro 30, 2007 11:39
João Raposo:

Deus nos livre de Ruym (isso mesmo, ruim) Muniz. Dizem que ele tem um acordo com o prefeito de Januária, para deixar a saúde da cidade piorar tanto que a solução seja terceirizar o hospital da cidade para esse deputado.

segunda, dezembro 31, 2007 10:18

segunda, dezembro 31, 2007 07:28  

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