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terça, 03 junho, 2008
Depois eles reclamam....

Duas matérias interessantes desse final de semana. A primeira, a desistência da oposição em criar CPI´s midiáticas e a segunda, uma entrevista do filósofo conservador Olavo de Carvalho, para o Jornal do Brasil. Uma completa a outra e mostram como a disposição entre esquerda e direita se estabeleceu e se estabelece no país.

Seguem as matérias, depois comento.

1) "A solução é dar um tempo nas CPIs. Essa é a saída para que elas voltem a se fortalecer como um instrumento institucional do Congresso. Porque, depois de aprender com os efeitos da CPI dos Correios, o governo mudou de estratégia e passou a ter como tática a desmoralização das CPIs", explica Álvaro Dias, para quem a abertura da comissão representou "um fracasso anunciado".

2) Há uma certa dificuldade hoje em encontrar movimentos políticos, partidos ou líderes que se proclamem claramente como de direita no Brasil. A direita está envergonhada?                                                            

Faz mais de 20 anos que a direita está sendo burra. Estão todos acreditando nessa coisa de roubar as bandeiras do adversário. Como o abortismo. O pessoal de direita pensa em roubar a bandeira do abortismo e vê nisso uma forma de adquirir também o apoio das pessoas que são abortistas. Mas quando faz isso, pensando em uma vantagem imediata, vai apenas reforçar a ideologia de seu oponente. Todo sujeito que se deixa moldar à idéia de seu inimigo já está derrotado. É a vitória perfeita. Lênin já dizia que a vitória perfeita era obtida sem lutar, o adversário se entrega. Pois eles, a esquerda, conseguiram

Como isso aconteceu?                                                                                                                                             

A esquerda adotou uma tática muito inteligente criada pelo Antonio Gramsci, o pensador italiano. Consiste em dominar primeiro todo o universo da cultura, das idéias, da educação, antes de conquistar o poder. Então, esse pessoal durante o regime militar já estava aplicando isso. Ocuparam as universidades, as redações de jornais. De repente, não havia mais idéias conservadoras em circulação. E se você não tem as idéias, as pessoas não tem como se definir. Elas não têm nem como se expressar. Se um político hoje vai se expressar, ele usa a linguagem da esquerda. São burros e presunçosos.

(...)

Voltei.

Impressionante o didatismo das duas reportagens.

No Brasil, como um bom país subdesenvolvido, vivemos todas as revoluções ao avesso. Fomos colonizados, nossa proclamação da república foi debruçada em uma elite rural, e nossa ditadura foi derrubada pela classe média/alta estudantil e acadêmica. As poucas vezes que o "povão" esteve a frente das mudanças foram na Era Vargas e nos últimos anos de governo Lula, porém nunca de forma plena.

O contraste entre esquerda e direita não fugiu a regra. Como disse Tim Maia, o Brasil é o único país que o pobre é de direita, o que não deixa de ser verdade. A esquerda nacional se estabeleceu realmente durante o regime militar e leva o mérito, merecido diga-se da passagem, pela derrocada dos coturnos até hoje. A direita, também de forma merecida, colheu o que a ditadura plantou durante seus 20 anos.

A partir disso, sem dúvida, houve um aparelhamento ideológico esquerdista em quase todos os setores da sociedade. Não quero discutir se isso é bom ou ruim, a questão é que a ala conservadora nacional é um fiasco completo.

Na Europa, por exemplo, os sociais democratas não resistiram ao neoliberalismo, porém, os direitistas de lá se apoiam em projetos nacionais até certo ponto bem sucedidos, apesar de alguns problemas estarem vindo a tona agora, como o desemprego e a diminuição da população economicamente ativa.

Na terra das bananas, as políticas capitalistas foram medíocres, deixando espaço para a "dominação" a que se refere Olavo de Carvalho na entrevista. Aliás, nossa guinada esquerdista no continente nada mais é do que reflexo da incompetência da oposição em gerir seus respectivos países.

Nesse contexto se encaixa perfeitamente a vergonha nacional em se declarar de "direita", nada mais natural. E, assim, sabendo que todas as suas bases programáticas foram pelo ralo na teoria e na prática, eles se perderam num discurso agressivo e pueril. Tentam, como disse Olavo, roubar as "bandeiras" adversárias e jogar no colo dela (esquerda) todos as enfermidades fisiológicas enraizadas na política nacional, leia-se corrupção, problemas sociais, carga tributária etc.

Mais uma vez estão dando com os burros n´água, as tentativas de "sangrar" Lula com escândalos midiáticos e a banalização das CPI´s não estão dando certo, nem com apoio incondicional dos jornalões tupiniquins.

Realmente nossa oposição é burra, medíocre, fraca e medrosa, e enquanto eles tiverem Álvaro Dias, Jereissati, Virgílio, Rodrigo Maia, Heráclito Fortes para defenderem posições progrmático-ideológicas vai ficar complicado, bem complicado.



postado por 51120 as 01:30:34




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