peladao
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segunda, 30 outubro, 2006
A ausência de sutileza sempre me incomodou.


Interessante imaginar. Parece que tudo começa na imaginação. E imaginar só pode a partir do conhecido, do repertório. Tanto é que quando alguém te fala algo muito surpreendente, sem sentido ou muito fora do normal a gente usa a expressão "não consigo imaginar..."

Você se imagina em situações que já conhece. Que pensou antes. No meu caso atual, imaginar tem a ver com uma mistura dos dois. A lembrança de um sensação já sentida com o que não consigo imaginar.

Como será meu filho no dia a dia?

Porque em curtos períodos eu sou uma compressão de tudo que defino como "o máximo". Sou uma compilação viva de melhores momentos. Frases que quis dizer semanas antes e que soam como uma interpretação de um texto. Há uma curiosidade em saber como seriam de fato reações dele que antes viviam no planeta suposição.   São momentos vividos numa velocidade absurda pelo acumulado do período sem se ver. |É muita coisa pra ser dita, frases que já envelheceram. Misturada com necessidade de mostrar o que "estar junto" representa. E o objetivo? É tão pouco claro. Conquistar um espaço dentro dele e alimentar a importância desse espaço pra que ele viva por muito, muito tempo? Hahaha Olha lá o ser humano se recusando a ser mortal, dando um jeito de viver depois da morte. Ou será simplesmente um chamado instintivo de não ser a causa de neuroses que ainda nem nasceram, e de allguma maneira ser um dificultador do crescimento dele? Ou simplesmente a busca pelo prazer de estar com alguém que vc ama?

Como é meu filho quando ele atinge aquele estágio de normalidade parecido com o sono em que a gente acha que nunca nada vai mudar e a gente se acostuma com as pessoas que amamos, fazendo com que progressivamente fiquem invisíveis?

Ele leva vantagem. A mente está focada na vida. Ainda nao se desgasta com o acúmulo de cálculos, rótulos e significados. Dá pra ele ver Aladin 100 e poucas vezes sem se cansar, sem sentir falta de mais, de outro. Muito provavelmente pra ele, sofrimento é só ter a capacidade de sentir o meu inconformismo e não ter idéia do que fazer para que eu possa emitir energias mais leves e consequentemente me sentir melhor.

Pai bimestral é um dos poucos que percebe que o filho está crescido. A ironia é que você vê o filho crescendo justamente por não vê-lo crescendo.

A ausência de sutileza sempre me incomodou.  

Imaginando.  Eu me imagino numa outra cidade, numa casa com outra aparência, num clima menos agressivo, experimentando a desconhecida conhecida sensação de ser um pai nem percebendo seu filho crescer.   

 

   


postado por 36992 as 12:03:45 #
1 Comentários

LéoCB:
Grande Maluco Beleza!

Você relamente é SAGAZ!!

Maneiríssimo o Blog.

Parabéns.
03/11/2006 16:29:27  

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