peladao
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terça, 28 novembro, 2006
A boate


Fico um tempão sem escrever não por falta de assunto, mas por pura estupefação. Sim. O ser humano me deixa confuso. Hoje resolvi falar de uma das invenções mais ridículas que nossa espécie inventou: a dança. Antes que você continue de olhos arregalados ou com algum tipo de indignação, me acompanhe.
Se você já foi em boates vai conseguir entender direitinho meu ponto de vista.
A boate é um local dividido em áreas. Tem a área dos Konmninguens, que compreende uma faixa de um metro pra trás de toda a extensão da pista de dança. É onde ficam os seres mais inseguros e idiotas que os pais conseguem formar. Você não sabe, mas devia agradecer essa moleza desses caras. Dê graças a qualquer divindade que eles não se arrsicam na pista de dança. Porque com a baixa coordenação motora e o pouco domínio dos movimentos corporais eles podem provocar vômitos em cadeia. Esses seres estão sempre com copos na mão e com o cotovelo apoiado na bancada do bar. Seus olhos procuram alguma distraída ou bêbada que, num momento de ausência, possa dar oportunidade pra que eles se aproximem, como as hienas se aproximam da carniça que sobrou da refeição dos leões.
Eles me enojam. Eu tenho medo de que um filho meu se torne isso.
Outra área muito bem definida numa boate são as mesas. Lá é fácil identificar os gordos, os entediados, os muito ricos e os misantropos. São seres que simplesmente não querem participar da histeria que é a boate. Eles vão pra lá e agem como se não estivessem ali. Suas mesas costumam ter comidas, no caso dos gordos e uma garrafa de uísque ou champanhe no caso dos ricos. É um ponto geográfico importante. É o local de observação. É onde ficaria um antropólogo. As mesas representam o rompimento
parcial com aquela realidade estranha da boate. É também um pix.
A parte mais deprimente ficou por último: a pista de dança.
Putz! É lá que o ser humano mostra o que tem de pior.
Quem inventou a dança?
Quem foi o ser sarcástico que conseguiu convencer as pessoas que jogar os braços de uma maneira nada lógica é legal e bonito?
Por que as pessoas insistem em fazer movimentos com a cintura e com a cabeça que fazem a gente questionar a importância da existência do homem no universo?
Sempre achei os braços um dos grandes problemas da humanidade. Por isso glorifico o cara que inventou os bolsos. Ele resolveu em parte o que fazer com os braços. Mas definitivamente, dançar não é a solução pra essa questão. Eu fico constrangido pelas pessoas. Vejo as caras, os seres mordendo os lábios, fazendo coreografias e me seguro pra não chorar. Se eu bebesse já estaria numa clínica de reabilitação. Me afogaria em álcool pra suportar a miserabilidade da existência. Aliás deve ser isso. O consumo de álcool é que deve ser o responsável pela perpetuação desse ritual nojento. Pior que isso, só lá pelas 4 e meia, 5 horas da manhã que é quando os konmninguens do balcao, mais os gordos das mesas, todos em estado avançado de embriaguês começam a invadir a pista e dão início a um espetáculo sem igual de deprimência, caindo no chão, vomitando e se achando no direito de falar os maiores absurdos pras mulheres que os leões não predaram. Viva o pay per view e o home theatre.


postado por 36992 as 01:05:19 #
1 Comentários

ronaldo:
Achei seu comentário simplesmente magnifico. FAzia tempo que não via um comentáro tão inteligente na internet!
Parabéns!
02/06/2007 10:21:15  

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