Efervescência
Efervescência
segunda, 27 agosto, 2007
SACO CHEIO...


**** Este não é um texto definitivo. Ele precisa de opiniões, porque o contato que estabeleci com a literatura marginal, ainda está fresco...

 

 

Ferréz e nossa literatura marginal que me desculpem. Não dá pra aceitar rotulações. Dá sim, pra apoiar um movimento literário radical e extremista, com justificativa de que a passividade não faz barulho. Assumir uma postura e berrar na orelha da sociedade, até estourar-lhe os tímpanos. O ponto é: o que estamos berrando? Em primeiro lugar, só me limito a prestigiar condutas que sigam o Direito do ser humano ser humano, deu pra entender? Mas o ser humano que está inserido no sentido da cooperação. Neste sentido, aplausos para o movimento da literatura marginal! A minha crítica à alguns autores não diz respeito à sua liberdade de expressão, mas simplesmente não concordo com a opinião de muitos. É o direito do toma lá dá cá. Se a literatura marginal, por um lado mete o pé na porta da literatura e a torna universal, por outro germina sementes preconceituosas. Não digo que ela não sofra preconceitos, fico até imaginando porque Ferréz não é mais um “caro amigo”. O teor de alguns textos pinga no olho o colírio da revolta contra a imundície das relações sociais e capitalistas. Outros, porém, mostram a criminalidade como uma resposta ao canibalismo do sistema feudal contemporâneo, sendo um produto que deve ser engolido sem mastigar. Perdão, mas meu estômago tem o direito de regurjitar alguns pequenos pedaços. Eu jamais acharia normal um criminoso assassinar um pai de família só porque ele tem grana. Isso é inconcebível e até acho que você que está lendo essa bagaça, até concorde comigo. Eu queria mesmo é ver o pessoal explodir um deputado, um juiz corrupto filho de uma vaca, um dono de empresa de transportes. Minha raiva é ver o povo fuder com o povo, um irmão de batalha matando outro irmão na batalha. E o que acontece, me vem a literatura marginal botar pilha? Achar que só porque fulano conseguiu se dar bem na vida, merece a vingança? Tem gente do povo que se esmerilhou a vida toda, se fodeu e quando consegue alguma coisa de mérito, leva uma bala na cara. Nem sempre é só de policial que gente de bem morre, mas mais comum que seja de ladrão de galinhas. Por que conseguir as coisas por mérito é errado? Qual a graça de gritar assim as desigualdades humanas? Vaidade ou desejo de compaixão? Porque quando o fulano se dá bem passa a ser rotulado como filho da puta. Alguém de status social que segura nas mãos desonestas o poder desviado, esse merece que lhe passem o ferro. Não me venham com falsa moral, dizendo que estou apoiando um crime. Muito menos boquiabertos cuspindo catolicismos baratos de padres que molestam criancinhas. Eu só viro católica se derreterem o teto de ouro da basílica de São Pedro e fazerem alguma coisa útil em prol dos “filhos de Deus”, de preferência as crianças africanas (ou o que sobrou delas), as crianças vítimas de exploração sexual, etc.

Um político verminoso que toma longos banhos numa ducha cardal, jorrando pelo ralo, milhões de litros de água que não conseguem lavar a sujeira da sua carne podre. Nas custas dos milhões que roubou dos impostos que eu, você e a tiazinha que sustenta sua prole sem ter água potável pra fazer a mamadeira da criança e toma banho gelado de canequinha, fomos obrigados a pagar por meio de impostos. Quem se mete com eles? Eles financiam o tráfico de drogas, que se você que consome a maconha ou seja lá o que for, está sendo cúmplice do assassinato do moleque do morro, do espancamento ao mendigo que não tem direito ao nome nem ao túmulo, da mãe que perdeu os cabelos entre os dedos de preocupação com seu neguinho ou seu branquinho que saiu pra escola e não voltou mais. Eu queria ver a literatura universal da denúncia, da consciência, da língua do marginal que foi sufocado pelo poder tirano, deixando nua a mídia que relincha baboseiras, o jornal que é tendencioso. Não ver gente inteligente grudar cartazes com estereótipos, tem muito negro bom e branco bom, negro ruim e branco pior ainda. Neste mundo tem vagabundos de todas as classes sociais, tem pobre que não vale um real e rico que não vale meio. Mas também tem o contrário, tem gente muito boa, gente que não merece estar no morro, gente rica que ganha o seu pelo próprio esforço e perseverança. Que tombou muito antes de chegar no topo. Dividir as massas, as hierarquias e enfiar o dedo na cara delas dizendo quem é bom ou mau pelo simples critério financeiro é inocência. Alguém me responda porque o governo não inclui o ensino da Constituição nas escolas??? Que escolas? Estes lixos que são algumas escolas? Talvez as moscas estejam interessadas em aprender sobre ela. As moscas do descaso do governo, as moscas da ausência de alunos interessados e dos alunos que precisam trabalhar para comer uma migalha, dos alunos portadores de necessidades especiais ou acometidos por alguma doença que ficam horas, na fila de algum hospital público, as moscas dos professores lesados que não cumprem suas obrigações. Por que os que cumprem são, literalmente, as próprias moscas zunindo sozinhas.

Estou sentindo falta de uma literatura marginal que mostre ao povo os direitos dele, que os ensine a gritar, a esmurrar a cara gorda e bochechuda de um repressor que tente estreitar o caminho. Que assuma de uma vez o poder sobre uma nação. A literatura que arregaça a manga e vai falar com o povo, vai intimar o Estado, vai exaltar o seu João que é um puta de um batalhador, digno e honesto. Mas vai cutucar as laranjas podres do que também existem no seu meio. Porque se não for assim, daí também é hipocrisia. Daí é igualzinho o outro lado de lá. Eu queria fazer parte da literatura que colabora pro bem estar geral, que provoca algum turbilhão, que incentiva, que acende uma faísca. As aparências enganam. Histórias pra contar todo mundo tem, o direito legitimo de viver como gente deve ser assegurado. Quem tem o talento das palavras tem por dever, multiplicá-las.

 


postado por 56147 as segunda, agosto 27, 2007 #
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