A JUVENTUDE NEGRA
EM DEFESA DA VIDA :PRESENTE E FUTURA
A juventude negra é o principal alvo dos mecanismos de genocídio da população afrodescendente no Brasil. A perspectiva apontada pelo documento da Escola Superior de Guerra de 1988 intitulado “Estrutura do Poder Nacional para o País no Século XXI” estão sendo seguidas a risca pelos aparelhos repressivos. Naquele documento, a ESG, centro ideológico da extrema-direita do país identificava os bolsões de miséria e o contingente de crianças e adolescentes de rua como focos potenciais de desequilíbrio do poder instituído e pregava o seu extermínio utilizando ações de baixo e alto impacto (desde incentivo a violência não institucional como o próprio concurso das Forças Armadas para garantir a “lei e a ordem”).
A recente ação no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, quando a polícia executou friamente treze pessoas sob o pretexto de “tomar o controle do tráfico” é mais uma das ações impactantes que demonstram a ideologia do genocídio presente nos aparelhos repressivos. Destas dezenove vítimas, havia até crianças de 13 anos. As organizações de direitos humanos denunciaram que os tiros dados pelos policiais miravam a cabeça e o pescoço das vítimas, ou seja, foram dados com o nítido propósito de execução. Este acontecimento demonstrou que persiste nos aparelhos policiais a ideologia de tratar cidadãos como “inimigos” e não proteger o cidadão, ainda que seja para reprimir a criminalidade.
A situação da juventude negra é agravada pela total ausência de perspectivas. O desemprego entre pessoas de 15 a 24 anos está em cerca de 19,1% no país, segundo dados da OIT. Fazendo o corte de gênero e raça, as taxas evidenciam o machismo (o desemprego entre mulheres jovens é de 24% contra 15% dos jovens do sexo masculino) e o racismo (20,4% entre jovens negros contra 17% de jovens brancos). Ainda entre os empregados, os jovens negros e negras sofrem mais com o sub-emprego: 65,8% dos jovens negros e negras trabalham sem registro em carteira contra 48,4% de brancos.
A inserção precária no mercado profissional complica ainda mais o cenário da juventude negra que vê comprometido o seu futuro como cidadão.
Um dos fatores apontados pelos estudiosos sobre a inserção precária no mercado profissional é o baixo grau de instrução da juventude negra. De fato, a média de escolaridade de um jovem negro de 25 anos é de 6,1 anos de estudo contra 8,4 de um jovem branco na mesma faixa etária. Lembramos que 6 anos é um tempo que sequer garante o 1º. Grau completo, direito mínimo de escolaridade garantido na Carta Constitucional. Os líderes empresariais apontam que as modificações no mercado de trabalho exigem uma escolaridade mínima do 2º. Grau completo. Assim, a juventude negra está excluída das novas oportunidades profissionais que se abrem nos segmentos mais dinâmicos da economia, sendo forçada a ocupar a franja do mercado de trabalho, ficando sujeita as instabilidades deste setor.
Estes fatores todos articulados completam um processo sistêmico de extermínio da juventude negra, uma vez que, excluída, ela se transforma em alvo preferencial dos aparelhos repressivos ao ser obrigada a se guetificar nas periferias da sociedade. Além disto, a juventude negra é vítima de uma campanha sórdida dos grandes meios de comunicação e dos setores mais reacionários da sociedade de revisão do Estatuto da Criança e Adolescente e redução da maioridade penal, propostas que visam legalizar as ações de extermínio.
Projetos que visam garantir uma outra perspectiva para a juventude negra, como a implantação de escolas de qualidade nas periferias, ações afirmativas na educação e nas universidades, programas de apoio a inserção no mercado de trabalho são duramente criticadas e sabotadas por estes segmentos que só vê uma possibilidade de resolver a exclusão dos jovens negros e negras: o seu extermínio.
JUVENTUDE NEGRA:
UMA LONGA HISTÓRIA DE LUTA DA NO BRASIL.
A juventude negra tem uma rica história de luta para tentar romper este ciclo de pobreza, exclusão, violência, desigualdade e discriminação social em nosso país.
É importante a militância desta juventude que em meados da década de 70, desafiando a ditadura militar, a violência policial e os obstáculos a liberdade de expressão, manifesta sua negritude e vontade de se organizar através de um movimento que se estendeu do norte ao sul do Brasil, o movimento “Black Soul”, protagonizando o mais controvertido fenômeno da problemática negra daquele período.
Na Bahia essa juventude sai às ruas a partir de 1975, participando da estruturação dos Blocos afros e afoxés como o Ilê Aiyê, Malê Debale, Muzenza e Olodum.
Diversas iniciativas marcaram na década de 80 a presença de estudantes negros nas universidades, a exemplo da Universidade Católica de Salvador/BA e do Grupo Negro da PUC/São Paulo. Como decorrência dessa mobilização de universitários negros é realizado o. SENUN – Seminário Nacional de Universitários Negros, em Salvador, na Bahia, no início da década de 90.
A esta história juntam – se os negros e negras que em 2007 estão construindo o Encontro Nacional da Juventude Negra, o ENJUNE, demonstrando que esta juventude continua atuante e em defesa da vida, se rebela e luta por:
· Educação pública de qualidade !
· Ações afirmativas nas universidades públicas!
· Contra o desemprego e o sub-emprego !
· Políticas de cultura e lazer nas periferias!
· Contra a violência policial e o genocídio nas periferias.
· Em defesa do ECA e contra a redução da maioridade penal !
www.unegro.uniblog.com.br















